Um jogo de pessoas. Titeabilidade.

…é como o que conseguiu Zidane. Tem uma equipa comprometida, que corre, que trabalha como antes não fazia. Isso fala mais do que uma táctica.

Quique Setíen, treinador da revelação Las Palmas ao jornal “As”.

Tantas vezes o “corre” ou o “trabalha” não visível em números ou distâncias, porque o que faz realmente a diferença é o foco e a capacidade de concentração que aumenta a atitude competitiva.

Numa era em que a informação está acessível para quem a pretenda estudar, analisar e usar, nos contextos de gente consagrada é a a forma como a passas ou como usas o contexto para chegar onde queres que faz a diferença. Ceder aqui e ali, para ter retorno acolá.

Num jogo de pessoas, de personalidades, retirar o melhor de cada um, mesmo dos que no final do dia continuarão reconhecidos e milionários independentemente do resultado final de cada partida, é um desafio nos dias de hoje tão ou mais determinante que qualquer outro para o resultado final.

A humanização do jogo e do jogador como factor fulcral para o desenlace final. Tão ou mais decisivo que a correcção mecânica de determinado comportamento se nos dias seguintes, a ausência de concentração competitiva irá proporcionar a que o erro se repita.

Depois do ano dos sonhos, com a conquista da Libertadores e do bicampeonato no mundial de clubes, as coisas foram se perdendo no Corinthians. O ambiente que até então era óptimo, foi ficando ruim. O que dava certo já não funcionava mais…

O time chegava à nona rodada do Brasileiro de 2012 amargando a zona de rebaixamento, depois de uma derrota para o Botafogo.

– Vocês [jogadores] podem enumerar cinquenta defeitos em mim. Podem me encher de erro. Mas um erro que não podem falar de mim é a falta da verdade e da lealdade. Mas  vocês não estão correspondendo, não estão respondendo ao que eu estou falando, ao que eu estou pedindo, desde a conquista da Libertadores. E nós estamos afundando cada vez mais. Vocês não estão tendo comigo o respeito que eu tenho com vocês. Eu não mereço isso. Eu não fiz isso com vocês. E tô me sentindo traído por vocês. Vocês estão me machucando enquanto homem, enquanto profissional. Eu não mereço isso – disse Tite, antes do duelo contra a equipa pernambucana.

– Foi uma das palestras mais bonitas da minha vida. Eu estava muito mal. Estava me sentindo realmente traído por eles – recorda o treinador.

O jogo começou com um golo de Elicarlos para os visitantes. Danilo empatou no minuto seguinte, ainda no primeiro tempo e marcou também o da virada depois do intervalo, tirando o time da zona de rebaixamento. O Corinthians terminou em sexto no Brasileiro naquele ano e ainda conseguiu fazer história com a conquista do Mundial, praticamente uma vitória da paz e do bom ambiente que tinham estacionado no Corinthians havia pelo menos cinco anos.

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Rodrigo Castro
Sobre Rodrigo Castro 217 artigos
Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

1 Comentário

  1. Este assunto é algo que muitas vezes é ignorado e descurado quando se analisam treinadores ou equipas.
    Fulcral em qualquer equipa bem sucedida

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