Da defesa para a final da Liga dos Campeões.

Não quero ser fanfarrão. Mas, o Buffon, o Barzagli, o Chiellini e eu somos a melhor defesa do mundo. Os números não mentem.

Bonucci em 2015, retirado do “The Tactical Room”

Os números mentem demasiadas vezes. E os números são completamente insuficientes para quantificar a importância dos defesas centrais da Velha Senhora. Sobretudo, totalmente insípidos no que servirá para avaliar  a qualidade de Bonucci, acima de todos os outros.

A caminho da final da Liga dos Campeões, e tudo a ver com a qualidade da sua última linha. O interessante é perceber que quando esta é aqui referenciada como fundamental para mais uma caminhada da Juventus, não se pretende referir às capacidades defensivas, mas acima de tudo à qualidade ofensiva, expressa na qualidade técnica (condução, passe) e tomada de decisão que emprestam ao jogar dos italianos.

A opção monegasca de pressionar quem encontra sempre soluções não impediu a equipa italiana de manter a bola e dominar o jogo, e ainda permitiu que a Juve chegasse mais vezes à frente em situação perigosa.

Muito bem preparada para a pressão adversária, e sobretudo com executantes de um nível soberbo logo desde a rectaguarda. Se linhas de passe fechavam e bola estava com Buffon, Chiellini ou Bonucci, era sempre usado Mandzukic para receber passe por cima. A qualidade do passe a permitir quase sempre recepções mais fáceis e linha avançada e média do Mónaco ultrapassada. Em suma, a manta estava curta para a equipa de Leonardo Jardim. Se ia apertar, era engolido (ou com bola por cima, ou por baixo quando era possível) e terminava a defender cada lance só com os defesas, porque linha média e ofensiva tinham subido metros para pressionar construção adversária.

Qualidade suprema com bola dos mais recuados é sempre o que mais diferença faz no jogo quando ambas as equipas pretendem pressionar alto. E se os centrais italianos são os maiores responsáveis pelo resultado, tal passou pela forma como mesmo na pressão, com bola, conseguem sempre manter a equipa a jogar, dominando! Muito mais do que pela competência defensiva, que naturalmente também é elevada.

Depois, em pequenos pormenores como o do golo inaugural ou outros lances a sair do aperto, Dybala a mostrar na Liga dos Campeões o que vem mostrando na Liga Italiana. Um jogador incrível a ligar o jogo, e com capacidade para finalizar com qualidade, também.

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Sobre Paolo Maldini 3801 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

5 Comentários

  1. Bonucci é impressionante. Em Portugal quase que dava para jogar a 10.

    Mesmo assim parabéns ao Mónaco. Conseguiu criar em número suficiente para ainda poder estar na eliminatória. Não marcaram, é certo, mas foram extremamente competentes a criar superioridade e a quebrar zonas de pressão.

    Dybala é um “canhoto de bairro”, franzino, e com qualidade que nunca mais acaba. A capacidade de finalizar é só mais um extra.

  2. Por motivos “profissionais” tento não gostar da Juventus, mas desde os tempos do Lippi que quando suspiro por um clube italiano esse clube é a “velhinha”. Será errado considerar a Juventus uma MILF? =P

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