A situação dos treinadores

Numa fase da época em que a procura de um projecto para a nova temporada é uma das preocupações principais dos muitos treinadores que nos acompanham, relembro um artigo que escrevi há alguns meses sobre a situação dos treinadores e a precariedade (tema que também passou por um dos nossos podcasts).

O movimento dos treinadores de desporto merece especial atenção pela precariedade associada a uma atividade onde a generalidade dos trabalhadores não beneficia de uma situação contratual legalizada. Isso tem sido uma das razões para a dificuldade de enquadrar as suas exigências, que vão sendo ecoadas pelas Associações de Treinadores das diferentes modalidades que estão integradas na Confederação Portuguesa das Associações de Treinadores.

O enquadramento laboral destes trabalhadores é bastante precário, sendo que a sua maioria trabalha em part-time, como complemento a outras atividades. A ausência de vínculo é uma regra geral, estando também generalizada uma situação de recibos verdes que levam a elevados custos no regime fiscal e de segurança social em comparação com os valores pagos por associações, clubes ou escolas desportivas.

Outro dos problemas que afeta fortemente os treinadores de desporto são as questões de formação. Havendo um conflito latente entre o IPDJ, que regulamenta o reconhecimento da atividade, e as federações de diferentes modalidades, cai muitas vezes o ónus sobre o treinador que não tem qualquer proteção perante as exigências de um e outro. Na prática, as formações a que está obrigado para iniciar e desenvolver a sua atividade acabam por ter um custo, muitas vezes, bastante superior ao que aufere ao longo de uma época desportiva.

Por isso mesmo, parece oportuno anunciar a audição pública que se realizará no dia 19 de Junho, na Assembleia da República, sobre o tema. Porque um treinador informado e consciente dos seus direitos é um treinador melhor.

Sobre Luís Cristóvão 95 artigos
Comentador no Eurosport Portugal.

4 Comentários

  1. Caro Luís Cristóvão

    O futebol é o sector de actividade que nos últimos 100 anos, talvez 150 anos, mais pessoas tirou da mediania, senão mesmo da pobreza em todo o Mundo sendo assim um verdadeiro pesadelo para os esquerdalhos.

    O afastamento dos esquerdopatas é apenas uma simples medida de bom senso, seja duma pessoa ou duma classe.

  2. Aqui no Brasil passamos por situação semelhante. Amanhã teremos um debate importante na CBF onde serão discutidos temas semelhantes aos citados nesse artigo.

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