O Dedo do Treinador

Para muita gente, é absolutamente inaceitável que um treinador que tenha conduzido a sua equipa à vitória no campeonato e à segunda Liga dos Campeões consecutiva não tenha especial mérito nessas conquistas. Se não formos capazes de reconhecer o dedo do treinador naquilo que se passa em campo, tendemos a desconversar alegando que, não obstante, é com certeza um líder notável. Não quero dizer grande coisa sobre liderança senão que todos parecem grandes líderes quando ganham. Há uma grande quantidade de pessoas, no entanto, que defende que é possível reconhecer o dedo de Zidane naquilo que os seus jogadores fazem em campo, e é sobre isso que quero falar. Quando instadas a justificar tal defesa, essas pessoas apontam por exemplo para o meio-campo a três, tão diferente daquele com que também Carlo Ancelotti tinha sido campeão europeu. Para tais pessoas, a inclusão de Casemiro no meio-campo confere solidez defensiva ao mesmo tempo que garante liberdade a Modric e a Kroos. Nesse aspecto, concluem, há dedo do treinador. Claro que, a partir do momento em que Zidane decide colocar Casemiro em campo, para jogar entre Modric e Kroos, se pode dizer que Zidane deseja que qualquer coisa seja posta em prática. Mas colocar jogadores em campo e instrui-los a comportarem-se de determinada maneira qualquer um consegue. Assim como qualquer um, desde que bem intencionado, tende a achar que os onze jogadores que escolhe para jogar e as instruções que lhes dá o aproximam do sucesso.

O “dedo do treinador” não pode simplesmente verificar-se na escolha dos jogadores e no tipo de coisas que o treinador espera que esses jogadores exprimam em campo. Tem de verificar-se, pelo contrário, na ideia comum de jogo, nos comportamentos colectivos, no tipo de decisões privilegiadas pelos jogadores, etc.. No caso concreto do meio-campo do Real Madrid, deve então verificar-se na forma com esses três jogadores se articulam entre si, na forma como oferecem linhas de passe uns aos outros, na forma como as coberturas são feitas, na forma como pressionam em conjunto e na forma, em suma, como procuram facilitar ao máximo o trabalho uns dos outros e como compreendem as necessidades de cada um dos colegas. Não creio que custe a aceitar que um meio-campo que se comporte de modo errático não é de modo algum um meio-campo bem trabalhado. Se um ou mais dos três jogadores de um meio-campo a três não for coerente em termos posicionais, privilegiando em situações idênticas ora a cobertura ao portador da bola, ora a desmarcação entre as linhas do adversário, ou se um ou mais desses três se comportar de forma aleatória, ora ficando em contenção quando os colegas pressionam, ora pressionando quando os colegas ficam em contenção, pode dizer-se que estamos perante um meio-campo no qual não se verifica o “dedo do treinador”. Ainda que tenha sido o treinador a escolher aqueles jogadores e a distribui-los em campo, não foi capaz de garantir que tais jogadores se comportassem de modo colectivo. A incoerência, a aleatoriedade e a falta de coordenação são geralmente sinais claros da pouca influência de um treinador nas decisões que os jogadores tomam em campo.

Ora, é exactamente isso que se nota no meio-campo a três do Real Madrid de Zidane, sobretudo na relação que se estabelece entre o suposto vértice defensivo do triângulo formado por esses três jogadores e os outros dois elementos. Basta olhar para o comportamento de Casemiro em campo para se perceber de imediato o quão pouco tudo aquilo tem a ver com um suposto “dedo” de Zidane. Tanto na fase de construção como na fase de criação, o comportamento do brasileiro é profundamente errático e aleatório, umas vezes decidindo de uma maneira e outras vezes de outra, conforme os ventos. A quantidade de vezes que se alheia do que acontece à sua volta, sobretudo quando os dois companheiros de meio-campo se predispõem a iniciar o desenho do ataque, é suficiente para que se perceba que não tem instruções específicas para esses momentos do jogo e que nada do que faz nesses momentos é consequência de trabalho de treino. Não são poucas as vezes em que é apanhado a apreciar a paisagem à sua volta, como se nada daquilo tivesse a ver consigo. A sua única incumbência, em organização ofensiva, parece ser simplesmente “andar por ali”. É isso que explica que umas vezes seja ele a vir buscar a bola aos defesas e outras seja um dos seus colegas de meio-campo. Assim como é isso que explica que umas vezes ofereça a Modric e a Kroos um apoio recuado, quando estes têm a bola, e outras se desinteresse do lance, faça tudo para não estorvar a acção do croata e do alemão ou assuma um posicionamento dentro do bloco adversário, o que cumpre, aliás, mais por capricho do que por convicção.

Esta incoerência gritante de comportamentos é incompatível com a ideia de que haja “dedo do treinador” naquilo que faz em campo. Quando o Real Madrid não tem a bola, Casemiro sente-se relativamente confortável. Percebe-se que tem rédea solta para andar atrás do portador da bola adversário, e fá-lo com contundência. Mesmo que não seja primoroso em termos posicionais, e tais comportamentos desprotejam muitas vezes certas zonas nevrálgicas do campo e desorganizem muitas vezes a sua equipa, o brasileiro fá-lo com todo o zelo. Mas quando o Real Madrid tem a bola, e inicia o processo de ataque, Casemiro é muitas vezes um jogador a menos. Quando não oferece um apoio recuado, que é aquilo que seria expectável para quem joga na sua posição, Casemiro ou se alheia do jogo, ou fica a tapar uma linha de passe, ou foge de súbito para não estorvar ou vai para zonas de médio-ofensivo. A inacreditável quantidade de acções distintas que executa em situações idênticas não se compadece com a hipótese de estar a cumprir ordens técnicas. Não faz certas coisas esporadicamente, o que não constituiria um problema, nem as faz sistematicamente, o que levaria a aceitar que as fazia ou porque assim o treinara ou simplesmente porque assim lho pediam. Nada disso. As várias coisas diferentes que Casemiro faz em ocasiões semelhantes são todas elas feitas com frequência suficiente para se dizer que o brasileiro não é especialmente distraído nem especialmente obediente. Age de modo aleatório porque, não tendo recebido ordens específicas para privilegiar certas acções em detrimento de outras e não tendo sido estimulado em treino a detectar padrões de jogo e a responder-lhes de uma maneira específica, age em conformidade com aquilo que primeiro lhe vem à cabeça. Um jogador mais experiente, e com outra cultura de jogo, disfarçaria o problema, admito. Mas isso diz o quê acerca do treinador?

O meio-campo do Real não funciona como funciona por causa de Zidane, mas apesar dele. Basta alguma atenção para se perceber, por exemplo, que é profundamente desorganizado e caótico. Não é infrequente que Modric e Kroos fiquem sem rede, e não fosse a extraordinária capacidade individual de qualquer um deles e o Real perderia muito mais bolas nesses momentos. Não é infrequente, também, que o mesmo espaço seja habitado por dois (às vezes três) jogadores ao mesmo tempo, ou que dois ou mais jogadores se desmarquem para a mesma zona. Em certas circunstâncias, isso não é mau. Há momentos em que, para desorganizar o adversário, pode ser útil privilegiar alguma espécie de desorganização posicional. Mas percebe-se claramente que, no meio-campo do Real, isso acontece porque não há qualquer jogo posicional devidamente trabalhado. O caos é demasiado e assaz recorrente para que seja apenas o resultado de uma liberdade posicional salutar. E é especialmente evidente naquilo que Casemiro faz em campo. O brasileiro é talvez o sintoma mais evidente da pouca qualidade do trabalho táctico de Zidane, e é isso que a compilação que se segue pretende retratar. Os lances que a compõem foram tirados de jogos do último terço da época realizados pelo Real Madrid na fase a eliminar da Liga dos Campeões ou contra adversários de qualidade em Espanha. Embora não seja exaustiva, a amostra é suficientemente reveladora. A forma sarcasticamente autobiográfica em que a apresento, assim como a música de Prokofiev que a acompanha, é essencialmente a pensar na vossa diversão…

 

P.S. Poder-se-ia alegar, claro (e não são poucos a fazê-lo), que é em não se fazer notar que se nota afinal o “dedo” de Zidane. A pergunta que se impõe, a quem pensa assim, é: mas é isso que é ser treinador? Permitir que os jogadores façam o que lhes apetecer, a qualquer altura e em quaisquer circunstâncias? Mesmo que isso ponha em risco a segurança defensiva e a organização colectiva, ou diminua drasticamente as condições de sucesso de um ataque? Mesmo admitindo que a qualidade e a inteligência da maior parte destes jogadores é acima da média, não é dever do treinador corrigir irregularidades, inibir excessos e proteger o colectivo da inconstância das individualidades? Que mérito há em aceitar que Casemiro se alheie tantas vezes de colaborar no ataque, ou que abandone tantas vezes a sua posição de médio mais recuado quando a equipa tem a bola, não oferecendo o habitual apoio recuado nem se preocupando particularmente em oferecer nada em compensação? Que mérito há em entregar a batuta a Modric e a Kroos e não fazer rigorosamente nada para de algum modo lhes facilitar a tarefa? E, em 2017, uma equipa na qual alguns jogadores servem só para defender (e já se fica satisfeito se eles não estorvarem a atacar) é uma equipa bem trabalhada porquê? Onde é que está mesmo o dedo do treinador?

Nuno Amado
Sobre Nuno Amado 6 artigos

Doutorado em Teoria da Literatura. Como acredita que se pode gostar em simultâneo de coisas muito diferentes, costuma conciliar o interesse pela literatura com o interesse pelo futebol. É um dos fundadores do blogue Entre Dez, onde escreve, com maior ou menor regularidade, desde 2007.

15 Comentários

  1. Tive esta ideia inicialmente, mas como foi então possível ganharem campeonato e Champions, principalmente esta, onde limparam Napoli (onde há imenso treinador!!!), Bayern (desequilibradamente equilibrado), Atlético (3-0 sem conceder praticamente nada defensivamente ; depois sim sofreram nos primeiros 30 da segunda mão) e depois reacção forte para a 2ª parte a varrer completamente a Juve.
    O que mais me impressiona é como não sofreram muito mais defensivamente com toda essa aleatoriedade. Viu-se essa face contra o Barça e mesmo outras pequenas em Espanha, mas se fosse tudo tão assim como descrito não resistiriam a época toda como fizeram.
    Mais flagrantemente a fragilidade coletiva de comportamentos sem bola tinha que ter levado a mais derrotas. Um enigma ?!

  2. Não há dedo do treinador, como é óbvio. Pelo menos, não ao nível de um Guardiola. No entanto, Zidane teve o mérito de perceber que regra geral meter os melhores em campo aumenta as probabilidades de ganhar. E ainda teve a ajuda das lesões

  3. Facilidade e desonestidade que os teus seguidores nao tem a inteligencia de perceber. Sabes, eu tambem posso escolher imagens do Messi a perder bolas em varios jogos e concluir o que eu quero como” olha, ele nao consegue desequilibrar”
    Uma montagem pode ser falsa e aqui so vemos o Casemiro em organisaçao ofensiva. Uma montagem objectiva seria de ver todas as açcoes do Casemiro num unico jogo. E melhor filtrar com certas verdades para condizer com o que tu pensas.

    O kroos e o Modric sao dos melhores a construir o jogo mas o primeiro é fraco a defender sem bola e o Modric perde energias se està sozinho. O Ancelotti que fez jogar o Kroos a trinco teve esse problema de equilibrio defensivo.
    Entao nesse caso, vou jogar com o meio campo clàsico a três e pôr um trinco atras dos dois mas o Kroos nao é bom a jogar entre as linhas e nao é a melhor posiçao do modric.
    O que é que faz o Zidane, recua o Modric e o Kroos atras da linha de bola para ter espaço para construir para jogar. O meu trinco ja nao terà jogadores à frente entre as linhas e a construçao do jogo passa para os lados do Casemiro. Como o jogo nao é centralisado, o Casemiro nao pede bola ao principio e a pressao dos dois avançados nos sistemas defensivos de 4/4/2 jà nao serve para fechar o jogo e eles nao conseguem travar o Kroos e o Modric que estao em lados opostos.

    A que vai servir o Casemiro? Principalmente a três momentos:

    1/ se o isco e o Benzema jogam entre as linhas, vou dar apoio atras do Kroos e do Modric

    2/ se nao ha ninguem entre as linhas, vou là eu entre as linhas para atrair adversarios e deixar espaços aos construidores do meu jogo e é o que vemos no video do Nuno. Ele me responderà porque é que ele nao pede a bola? ele nao pode jogar entre as linhas com jogadores em cima dele porque ele defende as costas do Modric e do Kroos.
    Se o Nuno era honesto, veriamos o casemiro a ter bola nessa posiçao; ele joga quando os adversarios deixam de estar em cima dele vendo que ele nao pede a bola, e nessa posiçao ele faz desequilibrios. Quando o Casemiro joga dentro do bloco, o Ramos serve de apoio atras de Kroos e Modric

    3/ O Casemiro serve de equilibrio defensivo e compensa falta de organisaçao colectiva a defender com poucos. Como o Kroos e o Modric jogam atras das linhas, na perda de bola sao muitos jogadores a defender para compensar falta de mestria a defender muito espaço com poucos, e muitas vezes é suficiente para preencher o espaço e defender bem.

    Para concluir, havia um debate a dizer que o Real seria melhor com o jogador tipo busquets em vez do Casemiro mas é mentira, porque o Busquets nao ia aceitar nao construir jogo e nao jogar bola entre as linhas com adversarios em cima dele. O Casemiro aceita porque o talento ofensivo é pouco.
    O Nuno responderà que entao o treinador nao tem dedo porque a organisaçao colectiva é fraca e que sao os jogadores que fazem ganhar o Real. Sim tens razao nisso mas tu pensas que o Zidane e o Real tem sorte e nisso estàs enganado porque tu invertes a hierarquia do futebol que é primeiro os jogadores, depois o modelo e so depois o sistema ( ou organisaçao colectiva se tu queres…)
    Quando tenho os melhores jogadores que podem desequilibrar a equipa adversa com poucos jogadores, vou dar o melhor modelo. Se o Zidane punha o sistema em primeiro nunca ganharia porque os seus jogadores nao tem esse talento mas tenho que pôr os melhores a jogar que é a primeira regra no futebol. Outros vao compensar as falhas coletivas e é o talento do Casemiro. O Isco foi a chave para o equilibrio do modelo com mais jogo entre as linhas porque ele sabe jogar entre as linhas com pouco espaço, muito mais que o Bale. Como sempre a chave foi antes de tudo um jogador dentro de um modelo.
    E para nao ter piadas, eu nao digo que o sistema nao serve nem as regras, eu so digo que o treinador tem que respeitar a hierarquia do futebol

  4. Eu tambem acho que o Guardiola é melhor treinador que o Zidane e vê se nos processos colectivos mas o Zidane e antes, o Ancelotti souberam fazer exactemente o que era preciso com os jogadores que eles tinham à sua disposiçao ao contrario do Benitez.

  5. Continuo sem perceber, como é que, no decorrer da época, não sofreram mais defensivamente, pelas alas, com o avanço dos laterais. Pela maneira como pegam para construir, Modric e Kroos estarão logo mais próximos na perda, mas ainda assim…Atlético não fez nada na 1ª
    mão?! Bayern, ameaçou na 2ª mão mas rasgou pouco.
    No global, continua a intrigar-me.

  6. bluevertigo, a qualidade individual é formidável. E isso continua a ser o mais importante. Uma equipa que tem o melhor finalizador da história do jogo, o central mais preponderante nas bolas paradas da actualidade, jogadores que metem a bola onde querem ou limpam dois ou três adversários com facilidade, jogadores potentíssimos do ponto de vista físico, capazes de ir buscar qualquer adversário depois de um erro colectivo grave, etc., é natural que possa ganhar coisas mesmo que, colectivamente, não seja brilhante. Não percebo qual é o espanto. Perceberia o espanto se o Real fosse uma equipa assim e, apesar disso, controlasse as incidências do jogos a seu bel-prazer. Mas isso não acontece. É muito frequente que o Real perca esse controlo, e passe boa parte dos jogos a sofrer. Nos 7 jogos da fase a eliminar da Champions, só houve um jogo em que o Real não passou por dificuldades claras em algum momento do jogo: a primeira mão com o Atlético.

    Miguel diz: “Uma montagem pode ser falsa e aqui so vemos o Casemiro em organisaçao ofensiva.”

    Se a montagem era para mostrar que a desorganização do meio-campo do Real em organização ofensiva, é natural que aqui só vejamos isso.

    “Como o jogo nao é centralisado, o Casemiro nao pede bola ao principio e a pressao dos dois avançados nos sistemas defensivos de 4/4/2 jà nao serve para fechar o jogo e eles nao conseguem travar o Kroos e o Modric que estao em lados opostos.”

    Isso não é verdade. Não mostrei imagens da primeira fase de construção, porque não era esse o objectivo do video e porque isso me daria ainda mais trabalho. Mas garanto-te que o Casemiro inicia muitas vezes a construção. E não o faz noutras ocasiões. Às vezes é o Kroos ou o Modric que vão buscar aos centrais e o Casemiro sai dali. O ponto é esse. Aquilo não é trabalhado. É conforme lhes apetece. E isso acontece na primeira fase de construção como acontece na segunda, que é aquela sobre a qual incidem a maior parte dos lances deste filme.

    “1/ se o isco e o Benzema jogam entre as linhas, vou dar apoio atras do Kroos e do Modric”

    Isto não é verdade. Tens o lance evidente em que ele vai ocupar o espaço entre linhas do Isco, e tens um conjunto vasto de lances em que ele vai para esse espaço quando já lá está um colega. Ele não fica em apoio atrás do Kroos e do Modric quando percebe que há colegas entre linhas. Ele fica quando lhe dá na gana. Isso é claro no video.

    “2/ se nao ha ninguem entre as linhas, vou là eu entre as linhas para atrair adversarios e deixar espaços aos construidores do meu jogo e é o que vemos no video do Nuno. Ele me responderà porque é que ele nao pede a bola? ele nao pode jogar entre as linhas com jogadores em cima dele porque ele defende as costas do Modric e do Kroos.”

    Como já expliquei acima, ele vai para o espaço entre linhas mesmo quando lá há outros colegas. Quanto a pedir a bola, não me parece que isso seja obrigatório. O que era obrigatório é que procurasse abrir linhas de passe, para facilitar a vida dos colegas. E isso ele não faz, ou faz apenas de vez em quando. Ele vai para o espaço entre linhas porque sente que está a estorvar. Não é por mais nada. Não o vês a criar linhas de passe, a adaptar-se constantemente à posição da bola para fornecer soluções interiores aos colegas, nem a tentar levar ninguém com ele. Pode acontecer que essas linhas de passe se criem e pode ser que haja um adversário a ir com ele. Mas isso acontece esporadicamente e não como consequência de uma suposta intenção dele. Ele não o faz claramente com essa intenção. Isso é evidente.

    “Se o Nuno era honesto, veriamos o casemiro a ter bola nessa posiçao; ele joga quando os adversarios deixam de estar em cima dele vendo que ele nao pede a bola, e nessa posiçao ele faz desequilibrios.”

    Ahahahahahahahahahah! No video há vários lances em que ele acaba por apanhar a bola entre linhas. Não há um único em que seja capaz de criar desequilíbrios. Usei lances dos jogos com o Nápoles, com o Bayern, com o Atlético e com a Juventus para a Champions, e usei lances contra o Atlético de Bilbau, o Barça e o Sevilha, para a Liga Espanhola. Vi todos os lances desses jogos em que intervieram o Kroos, o Modric e o Casemiro. Além de haver pouquíssimos lances em que os movimentos do Casemiro para dentro do bloco adversário deram origem a um passe para o Casemiro, não encontrei um único lance em que ele tivesse sido capaz de criar um desequilíbrio após um passe desses.

    “Quando o Casemiro joga dentro do bloco, o Ramos serve de apoio atras de Kroos e Modric”

    Que remédio…

    “3/ O Casemiro serve de equilibrio defensivo e compensa falta de organisaçao colectiva a defender com poucos. Como o Kroos e o Modric jogam atras das linhas, na perda de bola sao muitos jogadores a defender para compensar falta de mestria a defender muito espaço com poucos, e muitas vezes é suficiente para preencher o espaço e defender bem.”

    Muita gente a defender implica pouca gente a atacar. Se calhar, mas só se calhar, é capaz de ser por causa disso que o Real, ofensivamente, depende tanto das individualidades. À excepção dos dois avançados (ou dos três, quando jogam com três), está toda a gente fora do bloco adversário.

    “O Nuno responderà que entao o treinador nao tem dedo porque a organisaçao colectiva é fraca e que sao os jogadores que fazem ganhar o Real. Sim tens razao nisso mas tu pensas que o Zidane e o Real tem sorte e nisso estàs enganado porque tu invertes a hierarquia do futebol que é primeiro os jogadores, depois o modelo e so depois o sistema ( ou organisaçao colectiva se tu queres…)”

    Não percebi. Eu escrevo um texto a dizer que a organização colectiva do Real é banal, e que o sucesso se deve principalmente à qualidade dos jogadores, tu vens dizer que isso é tudo mentira, e agora dizes que tenho razão nisso? Agora só não tenho razão quando digo que o Zidane e o Real tem sorte? Confesso que não percebi. Quer dizer, acho que percebi. Para certas pessoas, não se pode dizer mal de um treinador que acabou de ganhar a segunda Champions consecutiva e pronto. Se a equipa não é organizada, é porque o treinador percebeu que só assim é que dava para ter sucesso. Não pode ter tido sorte. Teve de ser propositado. É como aquele gajo que marca um golo depois de ganhar 7 ressaltos e diz que só dava assim. Não se pode ter sorte, não se pode depender da contingência de jogadores de eleição terem resolvido tudo sem ajuda do treinador, e não se pode ter sucesso apesar de não se ter feito grande coisa para isso. Para essas pessoas, todos os vencedores merecem de algum modo a vitória. Mesmo os vencedores de casino.

  7. Percebo muito bem o artigo, a sua razão de ser e a sua argumentação, mas… parece-me que a resposta à principal questão levantada – porque é o comportamento de Casemiro tão errático – é dada no próprio artigo. Porque aquilo que faz de forma diferente graças a Zidane, i.e, entrar no bloco adversário para dividir a atenção da linha média e não estorvar Modric e Kroos, fá-lo de contra-vontade. Dito isto acho que a saída de bola do Real melhorou imenso desde que esse comportamento se tornou patente (não excluindo que possa ter benefícios na luta pela 2ª bola).

  8. Ter sorte dois anos consecutivos é algo que, nem o mais crente, poderá afirmar. Épocas inteiras, que dependem de regularidade e consistência são,afinal, baseadas na sorte!! Um artigo assim vai mandar por terra muitas das teorias que sustentam o futebol. Como seja a influência dum bom treinador e os ordenados que se pagam a esses mesmos, visto que, afinal é possível ganhar títulos e dezenas de jogos por época baseado na sorte.

  9. “Muita gente a defender implica pouca gente a atacar. Se calhar, mas só se calhar, é capaz de ser por causa disso que o Real, ofensivamente, depende tanto das individualidades. À excepção dos dois avançados (ou dos três, quando jogam com três), está toda a gente fora do bloco adversário.”

    Ja estàs a entender melhor os segredos do Real Madrid? Eles conseguem atacar com poucos mas como é que é? E assim tao facil, ele têm algum messi para fazer desequilibrios dentro do bloco fintando três/quatros jogadores e encontrando perfeitamente um colega na desmarcaçao? Nao, nem por isso mas entao por que serà? Haverà uma organisaçao ofensiva que decide prescindir do Casemiro e porquê? Como as jogadas se iniciam fora do bloco com tao poucos elementos e acabam com perigo com o bloco adverso a recuar e isso sem perder a bola? O Marcelo joga às vezes como um ala interior? Porquê Kroos e Modric combinam tanto a bola directamente dos lados opostos antes de iniciar jogadas? Porque sentimos o Real sempre a ameaçar e as equipas adversas nao contrariando mais esses ataques? Os dois laterais sobem ao mesmo tempo muito subidos?Porquê equipas como juventus e atletico(mamaram 8 golos cada um quando o Barça nao marcou nenhum à Juve) que contrariaram tao bem o Bayern e o Barça que atacam com muitos, nao conseguem contrariar um ataque com poucos elementos entre as linhas?
    Se eu defendo contra o Real Madrid: para quê serve duas linhas de 4 com pouco espaço se pouca gente joga entre as linhas? a minha linha de dois avançados serve para quê como o trinco nao joga? O Ronaldo e o Benzema alternam apoio e profundidade quando o Kroos e Modric têem a bola? Quem deu a liberdade zonal ao Isco? Como se compensam essa liberdade zonal na perda da bola? Sofreu imenso o Real em transiçao defensiva? Quem trabalha os blocos nas bolas paradas?
    Agora, podes ver de novo os jogos sem te focalisar no casemiro e nas corberturas que nao sao preciso ( 5 atras do bloco como ja disse) e olha quando o Kroos e o Modric aternam os passes, e o que fazem os da frente, como avançam os quaterbacks consoante o jogo, a justeza das decisoes desses dois que sao trabalhados nos treinos, as posiçoes que alternam consoante quem tem a bola, o Marcelo que faz desequibrios no interior. O Zidane usa cada capacidade do jogador para jogar com justeza. O Marcelo joga com bola no interior o que nao é o caso do Carvajal que percorre a linha. Se o adversario vai ao Kroos, ele desequilibra logo o espaço que ficou vazio e se ninguem vai, ele leva a batuta com combinaçoes e avançando com a sua tecnica e proteçcao de bola até à grande area, se servindo muito do Marcelo como apoio; o Modric entre mais nas linhas com a bola, sempre combinando, mas é capaz de entrar nas linhas mais que o Kroos, e combinar mais na linha com o Carvajal. O isco serve de apoio aos dois com capacidades de jogar em tao pouco espaço e encontrar soluçoes. Ele ainda têm que atinar mais com as decisoes mas jà melhorou muito na parte final. O Benzema e o Ronaldo sao eximios a mudar constamente de posiçoes dando apoio ou profundidade com uma alternancia fantastica. Nunca a tecnica do Benzema foi tao utlizado que com o Zidane. O Zidane conhece os jogadores, sabe em que parte do terreno eles sao melhores, optimiza o modelo e o sistema consoante a qualidade que ele tem no plantel. Ele acrescentou o trabalho do Ancelotti que definiu uma grande transiçao ofensiva. Como jà disse, nao é sorte, é o premio à capacidade da melhor equipa a adaptar se ao tipo de jogo e cada momento do jogo. Nuno, o teu erro é de pensar que quem tem posse, domina mas nao é bem assim. Quando vejo o Real em organisaçao defensiva, vejo mais perigo nas transiçoes deles do que na posse do adversario.
    Se tens paciencia, và la ver os jogos e nao focalizas o teu olhar no que jà conheces. E sempre dificil ver as mudanças porque o nosso cerveo so vê o que conhece. Seja curioso como os outros autores do blog…

  10. Se fosses honesto e nao tao arrogante, podias ter tentado entender como eles jogam pouco dentro do bloco e fazem tantos passes no terreno adverso.
    Tu dizes que eles ganham so graça às individualides mas nao vejo nenhum golo à messi que pega na bola e faz tudo sozinho; essas jogadas, sim depende das tuas individualidadas e é por causa disso que o Barça depende tanto do Messi. Mas no Real, ja nao hà ninguem com tanta importancia e a melhor prova disso é que o turnover foi constante com muito eficacidade.
    Olha, como os jogadores se ligam entre eles dando linhas de passe.

    Mas o gênio é que sao dois maestros que fazem o jogo atras da linha de bola e nao so um, e o adversario nao consegue ler o principio das jogadas; o Kroos e o Modric giram tanto a bola entre eles antes de iniciar uma jogada que a mudança de posiçoes defensivas do adversario està mais dificil. Se o Casemiro que està no centro tocasse na bola, o adversario tinha tempo de adaptar se à mudança do jogo.
    Ja te disse que o Guardiola fixou no Bayern os seus laterais na parte interior atras da linha de bola mas eles nao sao Kroos nem Modric, e o Alonso pegava muito na bola para surtir o efeito que tem o Real.
    O jogo vive sempre e nem tudo, se lê com facilidade. Com certeza, na tua cabeça, so consegues ver uma parte sem ver um todo, e por isso focalizas na cobertura defensiva, no Casemiro ( e nem vês todas as bolas que ele recupera nos pés) e nao vais muito mais longe porque a tua arrogancia é um travao à tua inteligencia.

  11. Fogo, este post está mesmo uma vergonha… dos quase infinitos erros que apontam ao Casemiro no vídeo, só encontro 1 ou 2, em que ele rouba linha de passe já existente (em q está de costas p o colega). Qual é o problema de sair de uma situação de cobertura ofensiva para entre linhas, se está lá outra cobertura!? É q esse movimento tb arrasta o adversário, ou pelo menos obriga-o a tentar perceber para onde vai… e esta fração de segundo em q o adversário tem q se preocupar, faz a diferença. Qual é o problema de dar apoio frontal quando outros são (muito) melhores a construir/decidir? E agora o autor do artigo responde q ele tb constrói; certo, mas na maioria das vezes entrega de imediato a 1 dos outros 2 do meio campo, ou seja, n toma decisões difíceis. E aqui é dedo do treinador. Qual é o problema de se desinteresar pelo jogo quando em posse? Futebol é muito sem bola, e eu n o vejo em zonas “erradas” quando estão nessa posse. Defensivamente, estes 3 são muito, muito bons e sem o Casemiro não é a mesma coisa. Não podemos ter só Maradonas e acho q a maior vantagem do Casemiro é mesmo saber isso. Quanto ao treinador, pode ter-se sorte uma vez ou outra, mas sempre!? Acho difícil

  12. Bom dia
    Só hoje vi este post, vi muitos jogos do Real, não sendo um entendido como os admnistradores deste grande Blog, só tenho uma questão, o posicionamento do Casimiro é errático e eu concordo em absoluto, visto que o seu posicionamento ao longo do jogo varia em demasia, no entanto será que isso não tem um certo propósito? Porque eu vi em alguns jogos que o posicionamento do Casimiro em muitos lances confundiu de tal ordem certas linhas defensivas que abriram autenticos buracos nos adversários, e com Modric e Kroos com as suas bolas teleguiadas causaram e Muito o panico na defesa e entre linhas. É mais que obvio que Zidane quer Casimiro por vezes a fazer de apoio, mas qnd jogam depois de meio campo quer casimiro arrastar entre linhas. Obviamente que me parece ser para arrastar marcações, para ser franco resultou, ainda marcou 6 golos esta epoca. Mas também com Modric e Kroos em posse torna tudo mais facil.
    Mas vejam a Segunda parte da final da Champions. O Casimiro jogou sempre entre linhas, com o Kroos e Modric a recuarem sempre para construir.

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