Tomada de decisão. Momentos em que o Sporting poderia ter penalizado a Juventus.

Não foi por acaso que Jorge Jesus pediu a contratação de um avançado com características diferentes de Bas Dost.

“Ele é o nosso melhor avançado na grande área… o que pode fazer mais golos, sem dúvida! Mas, estamos a ter tantas dificuldades a chegar ao último terço que tenho que jogar com alguém que nos ajude ai, porque se não também não me adianta tê-lo em campo… a bola não chega”

Respondeu-me um treinador da primeira liga com quem tive o prazer de aprender um pouco mais, quando o questionei sobre um jogador em particular

Terá sido um pensamento muito próximo a esse o que terá levado Jorge Jesus a procurar um avançado com um perfil diferente para atacar a Europa. O holandês que é um dos mais temíveis avançados dentro da grande área, da última década em Portugal, é também completamente inconsequente fora desta. E na Liga dos Campeões, os clubes portugueses precisam bem mais de ter quem consiga fazer chegar, do que quem espere pela chegada para finalizar.

Não somente pelas dificuldades técnicas, que o obrigam a tocar mais vezes a bola quando a quer dominar, ou apenas virar-se para a baliza, ou pelo facto de nunca se sentir sequer confortável para conduzir quando tal se impõe, mas pela forma como muito raramente analisa contexto para tomar decisão. Em tempos o próprio treinador leonino se referiu a Bas Dost como uma parede, pelo facto de a bola bater e voltar sempre para trás a um toque.

Na Liga dos Campeões, porque o Sporting passa demasiado tempo mais longe da baliza adversária, a importância de Bas Dost não somente se desvanece, como é demasiadas vezes até um entrave a que algo mais possa acontecer.

Foi assim em Turim, onde na primeira parte, por duas ocasiões o Sporting tem a possibilidade muito grande de criar lances de golo iminente, mas que nos pés de Bas Dost não chegaram sequer a ser prometedores.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3009 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

4 Comentários

  1. Curioso como o LE escolhe as mesmas jogadas que o Carlos Daniel utilizou no pós-match na RTP, no entanto, com análises completamente distintas. O Carlos Daniel refere que boa parte da táctica do JJ deveu-se ao baixar do Bas Dost para segurar a bola e distribuir o jogo a partir daí. Na RTP, meteram não só estas jogadas como mais 2 ou 3 em q o Bas Dost segura a bola e dá tempo à equipa para subir. Ou seja, do ponto de vista do Carlos Daniel, Bas Dost esteve bem neste capítulo, já nesta análise dá a sensacão de precisamente o contrário. Não estou a dizer com isto que uma está certa e a outra errada, apenas refiro que é curioso verificar que numa análise refere-se que Bas Dost esteve bem, segundo o Carlos Daniel – e ele é tudo menos um mentecapto no q concerne ao futebol – e aqui já é o contrário. Tendo a concordar com a vossa análise, mas tendo sempre a concordar com o q o CD diz. Curioso…

    Bom dia =)

    • Bom dia David… nao vejo tv há mtttttt tempo… pelo que nao vi o que dizes. Mas se há coisa que nao recordo o Bas Dost fazer é segurar a bola… 8 em 10 passa de 1a… e neste jogo nao me lembro de facto dele a ter guardado mas pode ter.me passado ao lado…

  2. Nota-se o trabalho táctico feito por JJ no sentido de envolver mais o Bas Dost na construção. No entanto, tb se nota claramente que é algo que mais ‘forçado’ que natural nele. E o que noto é que ele tem mais a preocupação de dar seguimento à jogada (leia-se, não perder a bola) do que criar algum desequilíbrio ou movimento de ruptura. Com estas limitações a jogar fora da área, acabar por dar muito pouco à equipa contra equipas deste nível.

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  1. Jogar entre linhas. O incrível golo do Sporting. – Lateral Esquerdo

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