“Há outros que fazem de ti melhor e saem no jornal… digo-te dois:” Pablo Aimar

Argentina's midfielder Juan Román Riquelme, right, and forward Lionel Messi , left, , celebrates after their teammate Ezequiel Lavezzi scored a goal during a men's first round Group A soccer match between Argentina and Australia at the Beijing 2008 Olympics in Shanghai, Sunday, Aug. 10, 2008. Argentina won 1-0. The other teams in men's Group A are Ivory Coast and Serbia. (AP Photo/Eugene Hoshiko)

Roberto Fabián Ayala é outro caso (que faz os colegas serem melhores com o seu jogo). Ele roubava a bola ao nove da equipa rival… e, em vez meter fora, ele olhava para ti e, enquanto lhe tirava, entregava-me a bola no mesmo toque. Eu recebia fazia a assistência e saía na capa do jornal… Ele é que fazia de mim melhor… e esses jogadores não saem na capa do jornal. E há outros que têm ambos. Eles fazem de ti melhor e saem na capa do jornal. Mas esses são escolhidos… Digo-te dois: Riquelme e Messi.

Pablo Aimar

Em 2014, escrevia assim no “Lateral Esquerdo”, no texto:

Pensar como um dez. O passe que antecede a assistência, e o passe que antecede o passe que antecede a assistência. Tão importantes quanto a assistência. Mesmo que com menor notoriedade:

“Remato pouco porque procuro sempre a melhor opção. Penso sempre o jogo como um dez” Gaitán.

Curiosa a afirmação sobre as suas decisões com bola. Pensa sempre como um dez. É esta a diferença que temos apregoado desde o início do blog há seis anos atrás (2008), do futebol idealizado nas décadas passadas para o jogo moderno.

O pensar como um dez é uma óptima afirmação num sentido figurado. Na actualidade, todos os que pisam o relvado devem ter tal preocupação. Pensar como um dez. A cada momento em posse ao atleta cabe perceber qual o melhor caminho. Importante interpretar o “pensar como um dez” com o anterior “procuro sempre a melhor opção” e não como o pensamento … de procurar passes de ruptura e notoriedade a cada posse.

Os melhores laterais, os melhores centrais, os melhores trincos, os melhores avançados, os melhores extremos. Os melhores jogadores. Todos pensam como um dez. Se há quem esteja em melhor posição (mais dentro? menos oposição? mais espaço? mais tempo?) para receber a bola, esta tem de entrar lá.

Pensar como um dez, não é de forma alguma restringir a individualidade e ou criatividade. De facto, quem nos segue há bastante tempo percebe que o que está em causa não é o discordar com o drible ou com a iniciativa individual. Pelo contrário, tais iniciativas devem até ser estimuladas, desde que integradas num contexto colectivo.

Pensar como um dez é valorizar toda e qualquer acção que aproxime a equipa do golo e não procurar a notoriedade a cada toque. Não procurar ficar na ficha do jogo a qualquer preço. Mais do que qualquer outra característica a diferença dos grandes para os medíocres é a forma como privilegiam o sucesso colectivo independentemente da notoriedade pessoal.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3047 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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