A teia de Keizer em noite de arcos

Numa vitória justa do Sporting na deslocação a Vila do Conde, a equipa de Keizer foi muito competente tacticamente e estrategicamente no que diz respeito à preparação do jogo. Aliando à qualidade com bola que o Sporting têm demonstrado desde a chegada do treinador holandês, a equipa leonina trouxe alguns aspectos estratégicos interessantíssimos para o jogo com um Rio Ave que já não perdia em casa há 20 jogos, nomeadamente o pressing que exerceu sobre a construção da equipa vilacondense.

Em organização defensiva, o Sporting apresentou-se altamente pressionante numa espécie de 4-4-2 losango que juntava numa 1ªlinha de pressão Nani a Dost. Neste pressing assimétrico, a equipa leonina criou imensas dificuldades na ligação da construção do Rio Ave pela quantidade de jogadores que colocava, mas principalmente pela intensidade que colocava nesta mesma pressão. Contudo, a nuance mais surpreendente que Keizer trouxe para o jogo foi mesmo o posicionamento de Nani na pressão que, pressionando de fora para dentro, condicionou sempre a entrada da bola no corredor direito da equipa de Vila do Conde. Em zonas mais baixas, o Sporting posicionou-se num 4-4-2 clássico com Wendel a juntar-se a Dost e duas linhas de 4 bem compactas.

Após as recuperações, o Sporting tentou sempre ligar pelo corredor central com Wendel ou com Dost. Os leões conseguiram quase sempre com critério sair da pressão e ligar pelo corredor central (ver o 2ªgolo), chegando de forma sucessiva a zonas de finalização.

Com bola, o Sporting foi a equipa que nos tem habituado na era Keizer. Muita capacidade para sair curto na construção e ligar com zonas adiantadas de forma apoiada, qualidade a jogar dentro da pressão e do bloco adversário e com chegada a zonas de finalização com bastante frequência. Foi um Sporting muito capaz com bola, demonstrando paciência e critério até chegar ao último terço.

Na transição defensiva, o Sporting esteve razoavelmente bem com uma excelente reação à perda e uma transição defensiva feita homem-homem por Gudelj que encostava em Diego Lopes antes da perda e nunca o deixou enquadrar com a baliza do Sporting. Além disto, um dos centrais do Sporting encostava, também, em Vinicius o que dificultou a saída em contra-ataque ou ataque rápido do Rio Ave.

Vila do Conde assistiu a um Sporting extremamente competente em todos os momentos do jogo na noite de afirmação de Keizer com uma vitória bastante convincente contra um Rio Ave com bastante qualidade individual e coletiva.

5 Comentários

      • Qual Jorge Jesus? O Jorge jesus de há 10 anos atrás? Porque o atual neste momento só se for o mestre da tática da década passada. Está completamente ultrapassado. Quanto mais não seja porque inspirou tanto treinador que qualquer um trabalha com o seu modelo e sabe como anulá-lo. Já para não falar da teimosia e da quase ausência de estratégia a não ser que o jogo seja contra um Real madrid ou Barcelona

    • É verdade! 🙂 Vão ver os nossos debates em posts anteriores à volta das desconfianças geradas (e certamente ainda não dissipadas) pelo Keizer. “O Maldini, o Jorge e os «ses»”, podia ser este o título. Vá…metade do que desejei (wishful thinking) foi, aparentemente, conseguido: organização em detrimento da inovação e boa reacção à perda da bola. O problema é o resto… Preocupava-me o papel dos laterais sem bola. Agora preocupa-me isso e ainda mais: a recuperação defensiva e o entrosamento com os extremos nas compensações, porque este modelo parece ser demasiadamente arriscado para quem fica cá atrás. O lateral (no papel) é defesa, mas com a dinâmica do jogo chega a ser extremo e mesmo interior naquela fase da ligação intrincada de passes no meio-campo. Parece ser um modelo extremamente exigente para os laterais e os laterais do Sporting não são propriamente a fina flor do futebol mundial… Para já vou desfrutar desta fase, mas plenamente consciente que dias negros irão chegar. Como sportinguista, que cheguem o mais tarde possível! P.S.: o mister Keizer viu tanta coisa, mas não viu que o Diaby não deve ser titular? 🙂

  1. O que acho mais giro é que em apenas um mesito este rapaz holandês transformou o Sporting na equipa mais interessante do campeonato português. Ou perto disso. Tem problemas e se calhar vai sofrer em determinados contextos mas ninguém o pode acusar de não ter (boas) ideias.

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