Lição em Ataque Posicional – O City de Pep

No post anterior sobre o Liverpool, referia-me à dificuldade de chegar ao golo em ataque posicional nos dias de hoje, fruto da melhoria da qualidade das organizações defensivas. O Manchester City é, ainda, uma das poucas equipas que marca com enorme regularidade golos em ataque posicional. Para chegar ao golo em organização ofensiva de forma consecutiva, não chega ter um jogo posicional forte, é também fundamental que a qualidade individual seja elevada porque este é o momento que depende mais da criatividade do jogador, e é por isso, que é tão difícil de trabalhar para o treinador.

Além da vasta qualidade individual existente, o City de Pep tem um nível incrível em ataque posicional. A pausa e a paciência na construção. As ligações e decisões inteligentes, demonstram qualidade pela forma como “brincam” com o adversário. É absolutamente impressionante como cada jogador percebe o jogo, percebe cada espaço para onde deve ir, cada momento em que deve progredir para atrair, combinar ou soltar a bola. É, ainda, um jogo percebido e sobretudo, inteligente que se expressa na capacidade de jogar o que o jogo pede. Se o adversário não dá espaço dentro, então eles vão por fora. Se o adversário está mais baixo, então eles têm paciência para os mover até o espaço aparecer.  Os comandados de Guardiola têm sempre “mil e uma” soluções para os constrangimentos que o adversário lhes coloca. Nem sempre corre bem é certo, mas também é certo que o caminho, expresso no estilo é sempre o mesmo.

Contra o Southampton, mais uma lição em ataque posicional do campeão inglês que voltou a demonstrar uma facilidade tremenda em chegar ao último terço. Na próxima jornada, logo na abertura de 2019, teremos um dos jogos de ano entre Manchester City e Liverpool que opõem dois estilos diferentes, mas muito competentes no que se propõem a fazer.

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Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

5 Comentários

  1. Eu vi o city-wolves no molineuz e apenas discordo das “mil e uma’ formas. Eu acho que eles deram muito tempo ao wolves para organizar e o wolves conseguiu ter 2 linhas muito fechadas. Então muito do perigo do city foi na longa distância, onde o Sterling e o de Bruyne são craques.

    Agora, a construir até à área, podes pressionar como quiseres que eles vão chegar lá por qualquer corredor.

    Eu sou um fã do trabalho de pep, mas este Liverpool é o meu futebol. Muito forte em todos os momentos, principalmente naqueles que são mais efectivos na prem. Se a isso juntas cérebro…

    • Eles têm uma diversidade em ataque posicional incrível. Movimentos diferentes na construção, na criação… por dentro, por fora e na profundidade. Como referi, nem sempre corre bem porque criar e golear em todos os jogos é impossível. Mas, os mil e um caminhos que o Man.City têm e utiliza regularmente para chegar à baliza adversária tornam a equipa de Pep, a equipa mais forte em ataque posicional do mundo!

  2. Apesar da qualidade do M. City, se nada de muito estranho caber em sorte à equipa de Klopp [como uma onda inesperada de lesões ou 2 ou 3 resultados negativos e imerecidos (que às vezes acontecem em futebol)], absolutamente nada nem ninguém este ano afastará o Liverpool da conquista do campeonato. Cheira a título em Anfield, e um título muito merecido porque como P. Guardiola já reconheceu em mais do que uma ocasião, este Liverpool é provavelmente a melhor equipa da Europa. Claro, devolvendo o título ao conjunto de Merseyside 29 anos depois da última conquista (campeonato), Jürgen Klopp entrará para a história do futebol Inglês e do futebol Europeu. Será um feito ao nível (ou maior, inclusivamente) da conquista de uma Liga dos Campeões.
    Nas dinâmicas Klopp vs. Guardiola, em confronto directo, tratando-se de dois indivíduos especialmente bem formados e eticamente muito sólidos (ao contrário do que por exemplo acontece para José Mourinho), nenhum sairá beliscado do gigantesco embate de quinta-feira, independentemente do resultado e daquilo que uma hipotética derrota significará para o City (o adeus ao bicampeonato).

    Ainda assim, o Manchester City parte como claro favorito. Repetirei porque é importante: Claro favorito. Porquê? Porque nada se compara ao factor casa, quando poderia aqui fazer uma referência directa ao texto do Laudrup sobre a visita do Braga à Luz e à boa e à má psicologia. Contudo, o tempo não abunda. E, se a favor de Guardiola está o factor casa, a animar as gentes da cidade dos Beatles está uma equipa que joga a 300 à hora e a memória muito recente dos 5-1 (agregado) com que o Liverpool arrumou o M. City da Liga dos Campeões da última temporada.

  3. Faltou uma referência über importante a Jürgen Klopp e que em tudo se relaciona com a dimensão do feito que este ano alcançará para o Liverpool: A única coisa que chateia no Alemão é já ter ‘jogado’ 3 finais Europeias (2 com o Liverpool) e ter perdido as 3, algo que Klopp definitivamente não merecia.

  4. O Guardiola modela na abertura e no meio do jogo deixando depois mais liberdade aos jogadores nas jogadas de finalisaçao. Mesmo assim o Guardiola deixa uma certa liberdade aos jogadores na abertura e no meio. Como bem dito no artigo, “como cada jogador percebe o jogo, percebe cada espaço para onde deve ir, cada momento em que deve progredir para atrair, combinar ou soltar a bola.» E por causa disso que ele escolha os jogadores mais tacticos, pelo menos aqueles que sabem fintar para proteger a bola e manter a posse, e aqueles que sabem decidir consoante o espaço e as ligaçoes a manter: essas sao as regras do modelo; o jogador é livre dentro desse constrangimento porque as regras sao flexiveis e nao sao muito padronizadas. Claro o modelo privilegia o jogar entre as linhas com jogadores que sabem encontrar as linhas de passe nesse espaço interlinhas e aqueles que sabem rececionar com mestria a bola e mantê la em posse nesse pouco espaço, sempre com a ideia de descobrir no bom timing o espaço maior nas alas ou na profundeza.

    Claro este modelo é sofrivel com equipas que na estrategia defensiva sabem fechar os espaços entre as linhas e baixando essas linhas para reduzir a profundidade e que alternam com momentos de pressao alta na abertura do City (onde a estrategia ofensiva do City é de jogar com poucos jogadores). Depois da recuperaçao da bola, o modelo destas equipas é de saber sair das zonas de pressao e de jogar com uma grande verticalidade em conduçcao de bola ou à procura do espaço nas costas da linha mais baixa com uma estrategia ofensiva de projeçcao de jogadores ràpidos.

    Estas equipas fazem parte dos melhores teams europeus e por enquanto as equipas do Guardiola dao-se melhor nos campeonatos onde o seu modelo permite amealhar o maximo de pontos com as equipas mais fracas. Desde que o Guardiola ficou orfa do Messi, falta-lhe qualquer coisa para a liga dos campeoes onde eles sofrem com as tais equipas mencionadas. Para mim, falta-lhe a mudança de ritmo que ele nao tem por causa do ritmo morno da posse; as alternancias de ritmo permitem tambem jogadas de contra ofensiva ( o pos Barcelona do Luis Enrique soube fazê-lo). Falta-lhe tambem deixar certos jogadores desrespeitar as regras do modelo para sentir o que o jogo pede e assim surpreender o adversario. O Messi pos Guardiola arrisca muito mais e desmodela o jogar do Barça enquanto que o Real do Zidane deixou totalmente as chaves do jogo da abertura e do meio aos quatro fantasticos ( Marcelo, Modric, Kroos e Isco).

    Claro, com essas mudanças, as equipas do Guardiola ja nao teriam o cunho pessoal dele, e prefiro que ele seja romancista a morrer com as suas ideias porque essa harmonia do jogo faria falta a todos aqueles que gostam da beleza do futebol.

    E todos sabemos que o Guardiola nao està parado nos velhos tempos e anda sempre a pensar nas evoluçoes do jogo e das estrategias, e um dia saberà encontrar novos modelos mais dinamicos e variados nesta era da informaçao para estar outra vez em cima do patamar europeu.

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