Lições Tácticas – A Transição Defensiva do City

No jogo contra o Wolves, o Manchester City voltou a demonstrar uma competência extrema em ataque posicional que se deveu bastante à sua excelente transição defensiva e que permitiu exacerbar o domínio sobre a equipa mais portuguesa da Premier League.

Tal como aconteceu com o Liverpool, o campeão inglês demonstrou uma capacidade soberba para impedir a transição ofensiva adversária. Instalada no último terço, a equipa manteve sempre a bola com paciência para mover o adversário, mostrando-se sempre preparada para a perda com o posicionamento alto (e por dentro) dos seus laterais e de Fernandinho que se aproximavam de possíveis referências para sair do adversário e condicionar a entrada da bola nessas mesmas referências. No jogo posicional do City, há também uma capacidade incrível de perceber o momento para arriscar e este momento está relacionado com o facto de a equipa estar ou não preparada para a perda. Se a equipa estiver equilibrada e junta para a perda, então arrisca-se. Caso contrário, a equipa guarda a bola e volta atrás se necessário. Por norma, a equipa está sempre muito alta e junta no último terço, o que facilita a recuperação da bola nos primeiros segundos pós-perda. No entanto, quando não a recupera nesses primeiros segundos, sabe muito bem defender os restantes sub-momentos da transição defensiva, mesmo que, isso implique defender com poucos atrás da linha da bola.

“Quanto mais ofensiva for uma equipa, melhor ela tem que saber defender, principalmente na transição defensiva, no momento da perda.” José Mourinho

Ao longo de todo o jogo, o Wolves de Nuno Espírito Santos rematou apenas uma vez e esse remate nem enquadrado foi com a baliza de Ederson. Este dado estatístico reflecte a extrema competência na transição defensiva do Manchester City que é tão importante para que uma equipa consiga manter a bola durante mais tempo e assim, controlar o jogo. Cada transição defensiva do City é uma lição de como defender um contra-ataque adversário…

Sobre Pirlo 36 artigos
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5 Comentários

  1. Tudo o que dizes é verdade.

    Não esquecer porém que o Wolves tem duas oportunidades na segunda parte, uma dela clamorosa em que Jota não chega a tempo, e que podia pôr em causa o rumo dos acontecimentos (na altura estava 2-0). Esse dado estatístico pode acabar ser pouco revelador.

    Ainda assim e como disse, não retira competência à transição defensiva dos blues neste jogo

  2. Em primeiro lugar obrigado pelo post.

    Em segundo queria perguntar uma coisa, quando dizes “No entanto, quando não a recupera nesses primeiros segundos, sabe muito bem defender os restantes sub-momentos da transição defensiva”, podes definir que sub-momentos da transição defensiva te referes e quais são todos os sub-momento da TD.

    Obrigado!
    Abraço

    • O Maldini já fez o favor de responder à tua pergunta! Resumidamente, quando me referi aos seguintes sub-momentos da transição defensiva, queria-me referir à capacidade de o City, nos momentos após não recuperar a bola nos primeiros segundos após a forte reacção que costuma exercer, sabe como deve defender os restantes momentos da transição defensiva. Por exemplo, o adversário sai dessa 1ª pressão,a equipa sabe como recuperar defensivamente no espaço de segundos e retirar espaço/tempo ao portador. Aliás, há um bom exemplo durante o video que coloco no post disto. Numa transição ofensiva com um potencial tremendo de perigo do Wolves, até em igualdade numérica perante os elementos da linha defensiva do City, a equipa retira de imediato a profundidade e têm alguém a sair na contenção. Mesmo em igualdade númerica, a equipa de Guardiola foi capaz de resolver uma situação que, em outros contextos (equipas), poderia ter dado golo.

      Um Abraço!

  3. Tudo isto é verdade porque assenta numa capacidade financeira desregulada, por parte do Manchester City, em comprar os melhores jogadores do mundo, o que representa ter, por exemplo, defesas com uma velocidade de ponta muito superior à média e um dos melhores guarda-redes do mundo a jogar fora da grande área. Só com essa capacidade é que é possível jogar com uma linha defensiva muito subida e capaz de recuperar rapidamente, através da velocidade individual, as suas posições defensivas originais.
    Como diz o velho ditado, sem ovos não se faz omeletes.

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