Manta curta na noite do Leão

Na deslocação à Feira, o Sporting encontrou um adversário de qualidade individual bastante inferior, mas capaz de criar bastantes dificuldades ao conjunto leonino pela, já reconhecida, competência e rigor nos momentos defensivos. Num dos raros momentos em que a equipa de Nuno Manta Santos se expôs, o conjunto de Alvalade chegaria ao golo que iniciou uma vitória difícil, mas merecida e que até poderia ter levado a um resultado desnivelado, não fosse a falta de eficácia da equipa leonina.

Sem bola, o Feirense apresentou-se num 4-4-2 muito junto durante os primeiros 30 minutos que se destacou pela capacidade de fechar a entrada pelo corredor central ao Sporting, actuando num bloco médio/baixo e a espaços, baixo. Com dificuldades a defender os corredores laterais, a equipa da Feira aumentou o número de elementos da linha média, passando para um 4-1-4-1/4-5-1, com o objectivo de condicionar o jogo pelos corredores laterais do conjunto leonino.

Em ataque posicional, por mérito da excelente organização defensiva do Feirense, o Sporting sentiu dificuldades em criar pelo corredor central. Os lances mais perigosos da equipa leonina em organização ofensiva surgiram de desequilíbrios pelos corredores laterais dada a quantidade de jogadores que o conjunto Fogaceiro colocava na zona central que dificultou a entrada por dentro ao conjunto de Alvalade. Nos corredores laterais, onde a capacidade individual pode ser mais decisiva porque existem mais lances de desequilíbrio individual (1×1 ou 2×2), o Sporting foi criando algumas dificuldades à equipa da casa, sobretudo pelo corredor esquerdo com bastantes cruzamentos. Nem mesmo, a alteração de sistema do conjunto caseiro ou o recuo dos alas para controlar a largura no momento defensivo, foi capaz de impedir a chegada a zonas de cruzamento por parte dos comandados de Keizer. Um Sporting muito capaz em ataque posicional, mais por fora do que por dentro, mas a demonstrar muita capacidade em chegar ao último terço de forma conjunta que iria ter repercussões positivas na sua transição defensiva.

Num jogo, onde o Feirense defendeu sempre mais baixo e com mais gente atrás da linha da bola, o Sporting chega ao golo que acaba por desbloquear o jogo num momento de transição ofensiva brilhante com o Feirense desorganizado e exposto. Numa era em que chegar ao golo em ataque posicional é extremamente complicado, dada à melhoria das organizações defensivas e a quantidade de pernas aglomeradas atrás da linha da bola, é fundamental aproveitar os segundos seguintes após recuperação porque é, nestes momentos, que o adversário está mais exposto e tem menos elementos atrás da linha da bola… seja qual fora a proposta de jogo a que se propõem!

Menção honrosa para Nuno Manta Santos que têm, mais uma vez, o plantel com menos qualidade individual da liga e está a fazer um excelente trabalho, naquilo que pode controlar. O Processo! A manutenção na Liga será extremamente difícil, não só pela escassa qualidade individual no plantel da equipa da Feira, mas sobretudo porque as equipas que lutam pela manutenção se têm reforçado com jogadores de qualidade. No entanto, a qualidade colectiva do Feirense assente no rigor defensivo e na qualidade nos momentos de transição ofensiva poderão catapultar os Fogaceiros para fora dos lugares de despromoção e se assim for, viver-se-a mais um milagre no Futebol Português.

Sobre Pirlo 56 artigos
Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

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