Who framed Rafa Silva?

Era uma vez uns quantos gajos numa carrinha cheia de plasmas… Não será obviamente desta anedótica maneira que começarão as crónicas sobre um Benfica-FC Porto que levou os dragões à Final da Taça da Liga 18/19, mas as menções ao VAR e à sua intervenção preencherão, certamente, a maior parte das análises a um clássico que, pela necessidade de golos para se chegar à Final e pelo confronto num campo neutro, ficou, de alguma maneira, curado em relação à tendência que se vem desenhando nos confrontos entre estas duas equipas para o campeonato. Factores que certamente ajudaram a que a habitual confusão, luta no miolo e conservadorismo, deixasse caminho a um jogo emocionante, cheio de qualidade e espaço e, claro, muitos erros e aproveitamento dos mesmos pelo talento dos jogadores em campo. Algo que ficou patente numa entrada a todo o gás por parte das duas equipas, que resultou em aproximações bastante convincentes às balizas de Svilar e Vaná. Uma primeira metade marcada pelas já referidas inúmeras ocasiões mas também pelos golos, e por um FC Porto mais em jogo no meio-campo ofensivo e por um Benfica que letal nas transições ofensivas e muito objectivo a aproveitar os inúmeros (alguns deles incompreensíveis) desposicionamentos de um FC Porto que na ânsia de marcar, e pressionar alto, por vezes pareceu esquecer-se do adversário que tinha pela frente.



Algo que, quer em organização ofensiva, quer no recorrente encostar para ganhar duelos, quer também na chegada mais rápida às chamadas segundas bolas, não se notou de nenhuma forma. Foi mesmo em algumas perdas de bola (que aconteceram de parte a parte e que fabricaram muito do bom jogo que hoje aplaudimos) que o FC Porto ia indiciando que, mesmo marcando primeiro e conseguindo reagir muito rápido ao empate, poderia não conseguir segurar um Benfica que, como já referido, com poucos toques e pouco espaço (nem precisava de tanto) pode ferir qualquer equipa. De maneira que depois dos tentos de Brahimi (com Óliver a ganhar uma bola no meio-campo ofensivo para depois soltar Marega – 24′) e de Rafa (com Jardel a encostar, ganhar, sair para o ataque, soltando uma transição que passaria ainda pelos pés de Pizzi, Seferovic, Vaná e Rafa – 31′) e de Marega (o inconformado Brahimi descobriria, em organização ofensiva, a entrada de Corona que derrubaria a defensiva encarnada – 35′), depois desses golos, dizia, sentia-se que o FC Porto poderia não ter a lucidez e organização que lhe permitissem segurar um resultado que a sua parte ofensiva ia criando. Assim, não tanto como rezarão certas crónicas mas também digno de algum realce, ficará para sempre marcado na história do jogo o lance que o VAR, e Carlos Xistra, consideraram como sendo ilegal, negando um empate que o Benfica levaria para o balneário.



Uma discussão que, conhecendo o historial das duas facções de adeptos – as mesmas que são peritas em negar alguns factos evidentes de influência extra-campo -, dará pano para mangas, dadas as dúvidas que ficam patentes no posicionamento de Rafa Silva no momento do endossar de bola de Seferovic (45’+2). O que dirão uns e outros já todos sabemos, pelo que resta levar a história do 1-2 que, na segunda metade, levou o FC Porto a conceder a iniciativa do jogo a um Benfica que agora seria obrigado a usar a sua organização ofensiva e não a sua transição para dar a volta a acontecimentos que não lhe eram, de alguma maneira, favoráveis. Um FC Porto que, ainda assim, recusou sempre baixar totalmente para perto de Vaná (algo que só aconteceu no último quarto-de-hora) mas que foi vendo um Benfica mais protagonista criar duas oportunidades que poderiam mudar o curso da história. Seferovic (47′) e João Félix (54′) apareceram em excelente posição para empatarem, mas a pressão de o fazerem condicionou uma linha avançada que, minutos depois, seria alargada (Castillo 72′) para fazer frente ao 4x5x1 com que o FC Porto passou a defender depois da entrada de Bruno Costa para o lugar de Corona. Resultado: Portistas à espera das águias perto da sua grande-área, e Marega e Fernando Andrade (a partir dos 76′) a posicionarem-se como laterais, mas com energia e velocidade suficientes para meter em sentido um Benfica que, cada vez mais, se desposicionava na tentativa de chegar ao empate. E com Tiquinho (59′ por André Pereira) a elevar o nível no segurar e entregar que um ponta-de-lança tanto tem que saber fazer, foi numa perda de bola encarnada que esse mesmo Soares seguraria, temporizaria e entregaria de bandeja o 1-3 a Fernando Andrade. O que para um Benfica que poderia ter segurado o jogo a partir de mortíferas transições na 1.ª parte foi como dizer: com transições matas, com transições morres!

Benfica-FC Porto, 1-3 (Rafa Silva 31′; Brahimi 24′, Marega 35 e Fernando Andrade 86′)

28 Comentários

  1. Sou benfiquista e achei o fora de jogo um absurdo porque aquilo para mim é estar em linha, mas a principal razão pela qual venho a este blog é mesmo porque só se fala de futebol e se deixam esses cansativos temas de lado. E gostava que assim continuasse a ser.

    • É verdade que o futebol é uma coisa linda, a inteligência em movimento, e também é verdade que o futebol português não tem nada de lindo.

      … depois escrevi umas coisas, mas como ia ficar muito comprido, façamos Fast Forward …

      A única punição de quem beneficia com a injustiça e não tem escrúpulos para com tal sofrer é, mais que deixá-lo viver na ilusão, reconhecer nele essa falta de sensibilidade como uma fraqueza e tirar proveito dela.

  2. Acho que o samaris merece muito mais pontuação que a atribuida, ao inves do grimaldo e svillar.. Não entendi a pontuação ao esferovite… Do porto não importa para nada. Pergunto eu: Com se explica erros no VAR? Uns jogam e são analisados como profissionais, outros, são amadores e podem ser desculpados os erros dando um puxão de orelhas e 20 flexoes!!! vergonha para este futebol, noutro pais, as instituições já se tinham mexido e mudado o paradigma do futebol… De resto um grande jogo de raça e entrega ao espetaculo de ambas as partes.

    • Olá, Henrique! As pontuações são da responsabilidade do Sofascore – pensei que as fotos estivessem legendadas dando conta disso mesmo. Desculpa o lapso

    • Mudar o paradigma era ter a coragem de enfiar batoteiros na ultima divisão. Isto não é futebol, é uma fraude proporções gigantescas montada para enriquecer meia dúzia de corruptos e manipular a populaça para que não se importe de ser roubada à descarada no seu dia a dia …

  3. Boa noite,
    Bom jogo, a todos os níveis. Bem diferente da meia final da época anterior (onde pouco se jogou, mas o chamaram de grd lição tática neste espaço), jogada com as mesmas regras e no mesmo campo misto…

    Sem dúvida, excelente análise de tudo o resto. Penso que falar de jogo, e excluir algo que possa influenciar esse jogo, fica aquém de uma visão assertiva (por isso a questão dos erros graves nos 2golos portistas e no fora de jogo…).
    Porto coletivo forte, dependendo de brahimi para desequilibrar e de Oliver para pensar (com Danilo este Oliver não estaria…como é possível).
    Porto com erros tremendos de posicionamento, coberturas ofensivas…que com equipas de nível inferior ficam escondidos. O espírito de guerrilha, de coletivo, de capacidade de trabalho, do discurso de liderança do SC torna este Porto muito mais forte que aquilo que na verdade é. Jogadores diria exprimidos até além do potencial, se isso existe. Isto dentro de uma abordagem ao jogo muito própria, pois noutra, teriam muitas dificuldades em serem decisivos como muitas vezes são. Tem outros, e por exemplo no setor defensivo, mais valias enormes e com as quais qualquer treinador gostaria de contar.
    Arrisco dizer, que se final for com SC Braga, Porto será inferior (no entanto, poderá vencer, como tem acontecido…até um dia talvez).

    • Aqui, onde o pessoal tem que ler o texto, os comentários são bastante diferentes da azáfama do FB. Obrigado por perceberes, Zidane 🙂

      • Não tenho disso Laudrup. Não estamos preparados mentalmente para lidar com tanta porcaria, dessa forma assumo as limitações do meu cérebro e só leio e vejo o que suscita curiosidade e interesse em aprender e descobrir. Gostei de ver a tua passagem pelo Bayern Munique😀

  4. Primeira vez que a imagem é a de um caso? E a discussão também sobre isso?!
    Tanto mais que houve.

    Curioso o realçar do positivo do Benfica e as fragilidades do Porto. Até concordo mas gosto sempre da história toda. Tanto erro do Benfica a entregar e na decisão. Tanto. E desalinhos com cratera também.
    Porto “à bruta”, na ânsia, com pressa de mais, mas com um espírito fantástico. Um e outro, são traços “Sérgio”. Para o bem e para o mal.
    E finalmente Porto a conseguir no fim uma transição letal. Tanto que se tem preparado para isso mas nunca tem conseguido. Melhor local e adversário era impossível.

    • As arbitragens fazem parte do jogo. O futebol é o todo. Depende é como se fala 🙂 mas se queres aprender sobre o jogo não podes, por mágica, fazer desaparecer arbitragens.

  5. A imagem do artigo não corresponde ao momento exacto do último ponto de contacto. Tendencioso. Manipulatvo. Pela primeira vez um artigo do LE desceu ao nível humano.

    • Mais um bocadinho e percebes a ironia no título. Já näo falta muito 🙂

      Tanto barulho por causa de um frame e de uma imagem. E ainda não consegui saber se é fora-de-jogo.

  6. Ter uma imagem do suposto fora de jogo no topo do Pizzi, não quer dizer que os autores (ou autor) esteja a falar de arbitragem.

    Se leram, e percebem português, o artigo fala apenas do jogo e não de decisões de arbitragem que possam ou não estar erradas.

    A culpa de tão bom ser o site e do crescimento e visibilidade que teve, é de agora qualquer um vir para aqui pensar que isto é o visão de mercado.

    Continuação de um grande trabalho 😉

  7. Acho que não há nenhuma directriz que impeça ou obrigue o LE a escrever sobre o que quiser. Os artigos são da responsabilidade do autor e o autor, neste caso, refere o lance para justificar alguma pressão adicional no Benfica na segunda parte o que me parece lógico. O artigo segue +/- a mesma linha directriz de outros artigos deste autor onde os aspectos taticos são mencionados mas há procura de outras razões para as diversas situações que ocorrem num jogo.

    Este jogo só serviu para saber quem é que ia à final porque o jogo mais importante é o de mais logo.

    • Também não há nenhuma directriz que impeça os leitores de mostrarem se gostaram ou não do que leram ou dos temas abordados. Até porque ninguém comentou de forma agressiva ou mal educada. Parece-me que os autores são suficientemente humildes para verem esse feedback como positivo.

      A “procura de outras razões” é feita todos os dias em programas de TV sem interesse nenhum.

  8. Este “jogo” foi uma farsa e uma cena de teatro, por isso, tudo o que se possa dizer agora é redundante. Os palhaços que vêm aqui deflectir a realidade são também eles culpados disto acontecer. É possível falar da encenação sem referir o segundo golo do Benfica? Só mesmo para gente hipócrita.

    O FCP é uma equipa de merda, não joga nada de nada e ganha jogos uns atrás dos outros sem saber ler nem escrever. Ontem foi mais um episódio. O resultado normal teria sido 4 ou 5 a favor do Benfica, caso houvesse mais qualidade individual (não era preciso muito mais) e caso os jogadores do Benfica não tivessem tantos erros de execução. As jogadas de perigo do FCP são sempre as mesmas: agressividade na disputa (muitas vezes à margem das regras), bolas paradas, recuperações altas e consequente transição com toda a gente a esticar rapidamente na profundidade. Em tudo o resto são patéticos e muuuuuito descoordenados. Que pressão é aquela kkkkk? Quantas vezes ficaram em inferioridade numérica e com vários oponentes de frente para o jogo depois de apenas um passe/drible do adversário? O segundo golo do Benfica é um bom exemplo disto.

    Até o Benfica do Rui Vitória era mais interessante do que o FCP, uma equipa que entra sempre em campo para não jogar à bola.

    A arbitragem foi nojenta em todas as direcções. Não compreendo porque foi parado o jogo no primeiro golo do Benfica (havia alguma dúvida? onde?) e o árbitro foi mesmo ver as imagens pelos seus próprios olhos. O mesmo árbitro já não foi ver as imagens do primeiro golo do FCP (possível falta no Gabriel; se o critério é assim por mim tudo bem mas quantas faltas destas foram marcadas antes e depois?) e também não foi ver o golo do Pizzi! Isto faz algum sentido? Qual é o critério?

    O VAR sempre me pareceu um cuidado paliativo mas neste momento já estamos perante um morto-vivo.

    PS: Aquelas pontuações ali em cima são para limpar o rabo depois de cagar?

    • Menos interessante que as do Rui Vitoria não diria porque o Porto sabe defender melhor (tambem porque não se expõe tanto) mas no plano ofensivo são limitados.

      Acho que a análise do Laudrup fala da arbitragem (diga-se sem tomar qualquer partido) precisamente porque a decisão do arbitro, teve uma consequência no jogo que o estragou (é incrível como um arbitro tem a coragem de tomar uma decisão que muito provavelmente não tem a certeza, mas não precisou de ir ver as imagens) ou seja, a abordagem do Porto passou a ser totalmente diferente da tida na primeira parte e com isso quem perdeu foram as pessoas que estavam a assistir.

      Do lado do Benfica, acho que a inclusão de algumas peças neste tipo de jogo e mais tempo de trabalho desta equipa técnica, poderão catapultar a equipa para um nível muito competitivo e a ter em conta para a luta pelo título (caso os resultados no próximo mês sejam positivos).

      Do lado do Porto de salientar, a diferença de critério que a equipa ganha com a inclusão do Oliver e o nível que os extremos têm, sendo os principais dinamizadores do futebol da equipa, mas à exceção de Brahimi, os outros nem sempre fazem parte da equipa, o que na minha opinião a tornam sem rumo e chuto na frente e fé nos cavalos(fazendo parecer uma equipa de meio da tabela do campeonato inglês).

      Por fim, apesar deste contexto achei o jogo interessante, devendo-se principalmente ao facto de SC ter tido uma abordagem diferente dos outros jogos todos que teve com os grandes desde que está no comando do Porto, isto é, querer tentar ganhar o jogo não só em transições mas também em Organização Ofensiva o que originou mais espaços para serem aproveitados pelo adversário. Curioso que se notaram mais as fragilidades da equipa em TD e principalmente a “falta de aptidão” do treinador para montar uma equipa de posse e dominadora como eram as equipas do Porto de Vitor Pereira.

      • Já estou a imaginar o Edson, em Maio de 2005, ranhoso, de olhos marejados e de joelhos no chão, a clamar perante os céus:” Deuses, como é possível uma equipa de merda, que joga nada de nada, ganhar o campeonato? São conquistas destas que destroem o futebol. Não, não vou festejar. O meu amor pelo futebol é muito maior do que estas vitórias de equipas medíocres”.

  9. Bom jogo, muito bem disputado. Tanto uma como outra equipa com bastantes erros defensivos, alguns roçando mesmo o surreal, por vezes os jogadores mais recuados parecem praticamente perdidos com as posições que têm que ocupar. Em termos ofensivos um benfica muito forte na procura de espaços mas, mais um vez, muito perdulário, é inadmissivel a este nível falhar tantos golos e isso paga-se muito caro!!!
    Uma jogo muito bem disputado que teve como interveniente maior o árbitro e quando assim é o especatuclo sai a perder, com isto do VDA esquecem-se que uma das regras base do futebol é em caso de dúvida beneficiar quem ataca, seja para um lado, seja para o outro.

  10. Jogo disputado naquele ponto de vista que agrada o adepto. Ainda assim, é preocupante a forma como este Porto concede oportunidades de golo atrás de oportunidades de golo. E não é só contra jogadores de valia como os do Benfica, é também contra todos os outros. Este jogo deu 3-1 como podia ter dado 2-6 se pela frente tivesse um Salah, um Mané ou um Firmino, ou outros que tais que povoam os relvados europeus e não um imberbe Félix e um inconsequente Seferovic.

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