Porque pode o Braga ser campeão – Parte II – Variabilidade na criação

” A grande capacidade desta equipa é a capacidade que tem de se adaptar ao contexto. Ajustar as velas em função do vento.” Abel Ferreira

O treinador do Braga já alertou que é diferente atacar uma linha de 4 ou uma linha de 5. A passagem de um dos médios centro para zonas mais adiantas é uma das consequências do aumento do número de adversários na linha defensiva. É necessário criar superioridades noutras zonas do terreno. O Braga tem, portanto, respondido às estratégias adversárias com soluções diferentes.

Os canais de circulação podem ser diferentes e os movimentos de profundidade podem mudar assim como alguns posicionamentos. O que não muda é capacidade para responder de forma adequada em função de determinada adversidade.

Horta, Paulinho e Fransérgio têm sido os responsáveis pela ocupação do espaço entrelinhas. Horta é o elemento mais vagabundo, enquanto Paulinho vai mostrando mestria na forma como interpreta cada momento. A inteligência do avançado permite-lhe funcionar de forma perfeita nas costas de Dyego Sousa ou mesmo ao seu lado. Em apoio ou profundidade o português é peça fundamental na dinâmica arsenalista. A mobilidade destes três elementos é controlada, bem pensada e difícil de contrariar. Sobretudo quando surgem todos do mesmo lado. Dyego Sousa associa-se cada vez menos ao jogo posicional da equipa. Procura, com maior frequência, o lado contrário ao do ataque. Dessa forma mostra-se sempre disponível para responder a cruzamentos ou solicitar profundidade após a entrada da bola no espaço central, à frente da defesa.

As soluções não se esgotam nos elementos mais ofensivos. Raúl Silva (central pela esquerda) e Goiano (lateral que constrói baixo) têm um papel importante na forma com a equipa cria.

A esta capacidade de alternar entre jogo interior e exterior o Braga associa movimentos de ataque à profundidade essenciais. A última linha do adversário nunca está confortável. Existem sempre ameaças à espreita e muitas delas são padrões ofensivos do ataque bracarense. Mais uma vez, diferentes organizações, solicitam diferentes movimentos. Destaque para os deslocamentos de Sequeira e Esgaio. Deslocamentos de fora para dentro que surgem, sobretudo quando têm pela frente linhas defensivas compostas por 5 ou mais elementos.

Será muito por esta capacidade ofensiva que o Braga poderá disputar o título até final. Neste momento, a equipa apresenta um leque de soluções ofensivas de muita qualidade e quantidade.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 75 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

3 Comentários

  1. Bom post, como sempre, mas são cada vez mais lidos e têm de começar seriamente a rever alguns erros constantes na redacção dos textos como a permanente separação por vírgulas do sujeito e do predicado.
    Por exemplo, “Dyego Sousa, associa-se” deve substituir-se por “Dyego Sousa associa-se”.

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