A Transição Defensiva do Benfica

Desde a ascensão de Lage à equipa principal, temos assistido a um Benfica dominador a querer ter a bola o tempo todo. Na segunda-feira passada, a Luz assistiu a um Benfica demolidor no momento ofensivo e fortíssimo na transição defensiva. Por trás desta exibição magnifica esteve uma capacidade soberba para impedir a transição ofensiva adversária. Instalada no último terço, a equipa manteve sempre a bola com paciência para mover o adversário, mostrando-se sempre preparada para a perda de bola.

“Tivemos sempre uma transição defensiva forte porque estávamos muito equilibrados no momento da perda de bola e com os homens da frente a reagir.” Bruno Lage

Para se entender melhor a transição defensiva encarnada, podemos dividir este momento em três fases para evitar a chegada à sua baliza.

  1. Equilíbrio ofensivo garantido sempre no mínimo por quatro jogadores para precaver uma eventual perda de bola (Centrais e Médios-Centro)
  2. Na perda, uma reacção colectiva incrível por parte de todos os jogadores em torno da bola que permite recuperar rapidamente a posse
  3. Nos raros momentos em que a equipa não consegue recuperar nos primeiros segundos da transição defensiva, a linha defensiva reajusta-se e têm comportamentos de excelência que reduzem as possibilidades de sucesso de quem ataca

Na Liga, independentemente da ideia de jogo de cada grande pela diferença de qualidade individual, os grandes acabam sempre por ter mais posse do que a maioria dos adversários. Salvo raras excepções, a grande maioria das equipas da Liga cria apenas dificuldades aos grandes nos segundos seguintes à recuperação da bola. Isto significa que se cada grande tiver uma transição defensiva segura, as probabilidades de vencer um jogo aumentam significativamente.

Um dos segredos do sucesso do Benfica de Bruno Lage é a sua fantástica transição defensiva que permite exacerbar o domínio sobre os adversários e isto, também, permite atacar mais e melhor porque avançar juntos aumenta as probabilidades de sucesso ofensivamente. Um dos golos de Félix iria proceder-se após uma recuperação rápida da bola após a perda.

Numa noite incrível na Luz, onde sobressaiu a capacidade incrível para roubar de Florentino, naturalmente que, a transição defensiva do Benfica ganhou maior destaque. A capacidade individual de Tino para recuperar e voltar a colocar a bola jogável foi fundamental para a domínio avassalador encarnado. Veremos como se irá preparar o Benfica de Lage perante um Porto fortíssimo e favorito para sábado.


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Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

2 Comentários

  1. Essa é a grande questão. Será esta transição suficiente para parar os ataques à profundidade do Porto?
    Eu espero bem que sim, mas quem tem a responsabilidade toda é o Porto. Pode ser que isso funcione a favor do Benfica.

  2. Parabéns pelo artigo e análise. No entanto, em minha opinião existe um outro fator que é preponderante a profundidade dada pelos laterais em processo ofensivo e a dificuldade que as equipas têm em defender esse momento com uma defesa zona e deixar 2 homens na referência para TO entre médios em centrais o que colocaria numa situação de equilíbrio de 2×2. Em Portugal tem assistido a defesas a 5 mas em hxh em extremo acompanha lateral logo a equipa fica muito mais baixa e com muito menos homens para sair o que faz com que esse 4 homens e principalmente a linha média a reagir de frente a essas perdas (o que fizeram muito bem). No entanto nota-se o fantástico detalhe é treino.

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