No final tudo se equilibra – A Lotaria e o Trabalho

No final tudo se equilibra. Nos vencedores como na tomada de decisão.

Escolher um caminho errado – Rematar quando a Melhor Decisão seria o passe – não significa que seja impossível ter êxito. Tal como optar sempre bem, não o garante.

É uma questão de probabilidades. Se vou com um colega isolado para o guarda redes adversário, se em dez vezes optar por não passar, acabarei por marcar 5,6,7 golos, talvez. Mas se ao fixar o guardião tocar ao lado para o meu colega encostar, essas 10 vezes poderão dar 9, 10 golos. 

E portanto, naquela que não deu golo, eu não optei mal. Alguma má execução condenou o lance, mas decidi pelo caminho que garante maiores probabilidades da minha equipa somar golo. 

O lance descrito refere-se ao momento de finalização por ser de mais fácil compreensão, mas poder-se-ia aplicar a toda e qualquer decisão no campo de jogo.

Da mesma forma que a má decisão pode trazer o golo, o mau jogo pode trazer a vitória. E se a boa decisão também é falível, o bom jogo (excepto no que concerne ao momento da finalização) também poderá trazer um mau resultado.

Acreditar no processo significa perceber que tal como a tomada de decisão, a classificação no final se equilibrará e trará justiça.

Eu sei que nada vos acalmará porque se mataram pela partida, mereceram mas não conseguiram… aceitem a injustiça, que tudo se equilibra ao final. Faltam nove jogos, se jogarmos assim os jogos que faltam, não tenham duvidas que terão a resposta que merecem, mesmo que pensem ser impossível, não reclamem de nada… tragam veneno, fortaleçam-se, a jogar assim … os nove jogos que faltam, vão ter o que merecem. Felicito-vos a todos, a todos
Marcelo Bielsa

Bom processo no final vencerá o mau. Mesmo que a um único jogo tal possa não acontecer.

Por isso, dificilmente a Liga dos Campeões consagrará a melhor equipa da Europa – Essa só seria possível de apurar num sistema de todos contra todos a pontos.

Numa Liga com os 18 piores treinadores do mundo, um será campeão. Já pensou? Da mesma forma que numa Liga com os 18 melhores do mundo, três seriam despromovidos. Qual seria a percepção das massas sobre os três que desceram? Incompetentes, pois claro. 

Quando se avalia um treinador, mais do que marcos, é importante perceber ideias. Aproximou a sua equipa do sucesso, mas no fim do dia a bola bateu no poste. É mau? Se esse fosse o critério, Jorge Jesus teria sido despedido antes de trazer para Lisboa o domínio do futebol em Portugal. 

Discernir o quanto chegou por mérito / demérito, e o quanto chegou pela aleatoriedade normal de um jogo de talento, mas também de erros, continua a ser um desafio constante quando se pretende perceber competências. 

Jorge Jesus foi cobrado na chegada ao Brasil por ter apenas vencido uns troféus em Portugal. Mas, o mister já tinha treinado em Espanha? E se não o fez foi porque presidente do Barcelona ou do Real Madrid não optaram por Jesus. Significa portanto que é a opinião dos presidente dos maiores clubes do mundo que separa os bons dos maus treinadores? Quando tantas vezes não têm sequer a mínima noção do que é o jogo de futebol. E se a Guardiola não tivessem dado oportunidade de treinar o Barcelona, teria hoje a unanimidade que tem? 

No futebol, jogador ou treinador dependem sempre da oportunidade. Com a diferença de que é bastante mais fácil perceber quando o jogador a merece, do que quando merece o treinador. E sem oportunidade, o bom treinador poderá passar pelo jogo sem nunca ser notado, e o mau poderá ser bom. Mas sempre e apenas, esporadicamente. 

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3735 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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