Recordar é viver – a pressão do Benfica na final de 2014

No inicio do post a devida contextualização: Benfica e Sevilha disputaram a final da Liga Europa em 2014, tendo o jogo terminado empatado a zero e sido decidido nos penalties. Os encarnados foram ligeiramente melhores nos 120 minutos.

Neste Benfica europeu uma das grandes qualidades era a organização defensiva, desde a excelência de comportamentos visíveis da linha defensiva à forma como a equipa estava sempre compacta. 

Neste jogo o Sevilha apresentou um 4x2x3x1. Na sua construção o duplo pivô tentava receber bola nas costas dos dois avançados do Benfica; em alternativa, um dos elementos baixava para junto dos centrais formando uma linha de 3, complementado com a subida dos laterais.

Partindo de um bloco médio em 4x4x2, a estratégia do Benfica pareceu alicerçada em dois aspectos fundamentais: avançados a orientar pressão, essencialmente após 1º passe para trás dos centrais sevilhanos, limitando a circulação a um corredor (por norma lateral) e o acompanhamento por parte de Rúben Amorim e André Gomes aos seus adversários directos, do duplo pivô, quando baixavam para o espaço nas costas de Rodrigo e Lima. O objectivo, maioritariamente bem sucedido, passava por impedir os médios sevilhanos de enquadrar com a baliza de Oblak e progredirem. 

Naturalmente que esta zona de pressão resultou também devido a movimentos complementares da restante equipa. O 2º avançado, tal como na imagem acima, baixava para impedir apoio frontal para o adversário que recebia de costas. Os alas, Gaitan e Sulejmani e depois Maxi, ainda que acompanhando a altura dos laterais adversários, mantinham uma posição interior que permitia saltar ao seu adversário directo quando a bola entrasse à largura assim como realizar cobertura e ajudar a fechar espaço mais interior.

Perante a incapacidade do Sevilha ultrapassar a pressão do Benfica, os espanhóis recorreram ao jogo directo, já bastante condicionados pela orientação da pressão encarnada, que tornava previsível onde a bola ia cair. Foi fundamental o posicionamento da linha defensiva, que não só esteve praticamente irrepreensível no controlo da profundidade e nos duelos aéreos (destaque para Luisão e Garay) como foram  muito rápidos a subir no terreno quando existia um passe para trás: aspecto especialmente importante para diminuir o espaço entre linhas originado pelo adiantamento de Amorim e André Gomes. Por outro lado, o lateral também acompanhou o extremo contrário quando entrava entre sectores. 

Em jogos equilibrados é já recorrente nas equipas de Jorge Jesus o lateral contrário avançar na profundidade enquanto o ala faz o respectivo acompanhamento, formando uma linha defensiva de 5 jogadores. O mesmo ocorreu nesta final, porém com um dado significativo: assim que existia um passe para trás e a bola estava coberta, consequentemente mais longe de ameaçar as costas da defesa encarnada, o ala rapidamente juntava à linha média e o 4x4x2 surgia no campo. Novamente, a velocidade com que o bloco encarnado subia forçando o recuo da circulação adversária fazia com que em poucos segundos passassem de bloco baixo para médio ou até alto.

O plano do Benfica fazia com que o bloco se estendesse um pouco no momento em que o Sevilha jogava directo. De modo geral os encarnados controlaram a 2ª bola mas, quando isto não aconteceu, a linha defensiva ficava naturalmente exposta, com o adversário a jogar entre linhas. Os encarnados mostraram conforto a defender com poucos: recuaram à medida que o portador da bola avançava e, caso no último terço a bola fosse para fora, controlaram bem os cruzamentos e temporizando ao máximo para a restante equipa se juntar.

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