Quando 1+1=2 (finalmente!): João Mário e Palhinha

Em Fevereiro de 2020, numa realidade que parece muito distante da atual, o Sporting defrontou o Rio Ave em Vila do Conde com Eduardo e Doumbia no centro do terreno. Com todo o respeito a estes dois jogadores, parece quase risível comparar a sua qualidade nos diferentes momentos do jogo com a dupla que o Sporting utilizou este fim-de-semana frente ao Tondela. Palhinha e João Mário fizeram o seu primeiro jogo juntos a titulares e a sua qualidade ficou visível. Até Palhinha se afirmar na equipa, o meio-campo de Ruben Amorim privilegiava principalmente o equilíbrio na construção e no momento pós-perda de bola, alinhando quase sempre com Wendel e Matheus Nunes lado a lado, sem grande projeção ofensiva e com uma área de ação muito mais reduzida.

Com João Palhinha o Sporting cresceu. O poder de recuperar bolas aumentou, a área que “tinha” de ser ocupada por dois jogadores é agora apenas controlada pelo médio ex-Braga, permitindo a quem atua ao seu lado ter mais liberdade com bola, e acima de tudo poder arriscar mais nas suas ações ofensivas. Se até Matheus Nunes se evidenciou nesse aspeto desde a utilização de Palhinha, com João Mário a história é ainda mais feliz para os sportinguistas. O internacional português traz técnica, entendimento do jogo e do seu posicionamento no campo que expande a equipa para outros patamares competitivos e qualitativos, ao nível de muito poucos médios que passaram pelo nosso futebol nos últimos anos. Traz também maior chegada e qualidade na decisão ao último terço, podendo ser um quarto elemento muito importante para desequilibrar frente a blocos reduzidos e compactos no terço defensivo.

No jogo de ontem, apesar de apenas terem estado 65 minutos juntos em campo, a dupla portuguesa mostrou que as aspirações do Sporting ao título passam muito pelos seus pés, cabeças, e rendimento. Porque afinal, até hoje, Ruben Amorim ainda não tinha tido um meio-campo que pudesse potenciar todo o seu modelo. Um meio-campo que se assemelhasse ligeiramente ao que o treinador português pretende, no que toca aos quatro momentos do jogo. Um meio-campo com ainda mais potencial (e qualidade) do que foram Palhinha-Fransergio no Braga. Um meio-campo em que 1+1 fosse, na realidade, 2, e não menos que isso. A equilibrar, a parar transições, a recuperar e a desequilibrar, Palhinha e João Mário deixaram muito boas indicações:

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Sobre RobertPires 7 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

2 Comentários

  1. O Sporting (pra já) não é candidato ao título. Baseiam muito o seu jogo em dar posse ao adversário e fazer transições rápidas. Isto leva a que: embora sejam consistentes defensivamente, passam demasiado tempo atrás da bola. Neste jogo viu-se um Tondela atrevido e a pressionar alto, daí a goleada. Com equipas mais fechadas e na retranca, o Sporting vai ter muitas dificuldades em criar lances de perigo.

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