A busca do 8 encantado

No modelo de Jorge Jesus, o número 8 é provavelmente o jogador que mais completo precisa de ser. Completo no sentido de ter que reunir competências ofensivas e defensivas em simultâneo. Ter de ser um jogador bem dotado fisicamente, tecnicamente, e ser inteligente taticamente.

Daquela posição tudo se define. Sem bola, a capacidade de recuperação da posse no pressing, a capacidade de recuperação para a linha média em 4x4x2 quando é o momento de baixar e juntar as linhas. Com bola, é a posição chave para dar fluidez ao jogo ofensivo – a velocidade a que circula, mas ainda mais a inteligência para saber quando conduzir e ir fixar adversários para soltar nos colegas mais adiantados, a habilidade motora para rodar de forma veloz e tirar a bola das zonas mais apertadas. Da posição oito do modelo 4x4x2, tantas vezes se determina todo o rumo do jogo.

O Benfica parece perdido entre aqueles que podem acrescentar com bola e os que são mais fortes sem esta. Entre todos, desde sempre que a minha opinião é a de que Chiquinho com bola é o melhor de todos. Porque reúne como nenhum outro médio encarnado as condições ofensivas para perder pouca posse e dar a tal fluidez que determina toda a velocidade do ataque e aumenta número de entradas no último terço com boas condições para os homens da frente serem perigosos. Não estou certo de que defensivamente tenha os argumentos necessários para se tornar o tal “Enzo” que ontem ouvi compararem. Nunca terá tal capacidade de recuperação ou agressividade, mas o que faz jogar o Benfica de forma natural usando e abusando de inteligência e percepção do jogo, não tem paralelo com mais ninguém que tenha jogado na posição. Com ele o jogo não encrava.

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Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

11 Comentários

  1. Podes ter dúvidas quanto ao rendimento do Chiquinho sem bola mas na comparação, nesse aspecto, com quem lá tem jogado ele continua a ser melhor, não?

    • sim! aliás, o JJ quando o lançou em Glasgow até disse isso… que defensivamente e fisicamente era o melhor… mas isso torna mais as outras opções mais fracas do que o enaltece …

      • Se até mesmo o JJ já percebeu que defensivamente é fisicamente é o mais capaz, o que é que ele perde para os outros para não ser titular? Perde menos bolas que o Pizzi, melhor capacidade de decisão, não há contra ataques por perdas estúpidas… Só perde na finalização a meu ver. Comparativamente com o Taarabt, é mais equilibrado e perde menos a bola, tendo menos rasgo individual. É teimosia do JJ? Ou está a proteger e trabalhar o jogador para ele aparecer agora?

        • não sei responder… a minha opinião é de que neste momento é o melhor! Agora, também sei que o modelo JJ precisa de alguém com outras características físicas! – Mas que não tem dentro de casa…

          • Pois, isso concordo o 8 do JJ é um jogador muito específico mesmo. Mas é um jogador que ele não tem.. Aliás pensei que seria uma das primeiras contratações, tendo em conta o risco que é jogar assim com um buraco no meio campo.

  2. Tudo dito! Este jogo não dá para retirar muitas conclusões, mas é definitivamente um dos que tinha muita curiosidade de ver sob comando do JJ… Chiquinho, Taarabt, Weigl e Florentino…

  3. Claro que é preciso andar para trás mas com Weigl e Chiquinho se calhar não é preciso andar tantas vezes para trás… Pormenor que pode fazer toda a diferença entre um jogo controlado e um jogo aos repelões.

    É que por acaso eu considero que boa parte dos problemas aparentemente defensivos são consequência das dificuldades ofensivas, sobretudo ao nível do passe/recepção. Estas falhas provocam depois um jogo partido, abrem espaços para a transição ofensiva dos adversários (que ainda por cima conhecem as equipas do JJ de ginjeira) e provocam dúvidas existenciais (a dita confiança) nos próprios atletas do Benfica.

    A equipa soma más decisões com bola e execuções por vezes patéticas para este nível, veja-se Gabriel, Pizzi e Rafa mas também outros como Gilberto e em determinados contextos até Everton, Taarabt, Samaris, N. Tavares, enfim, um rol deles.

    Neste contexto não compreendo (claro, também não andamos lá dentro) os poucos minutos do Chiquinho até ao momento. Sempre que entrou jogou bem apesar de não ser genial. Mas quantos são geniais?

    • se ele marcasse golo as pessoas diriam que é genial. 80% de quem vê futebol avalia da seguinte forma a) n de golos; b) n assistencias; c) CV – Onde jogou onde foi formado?

      80p cento fariam um 11 com 10 Mário Jardel e depois de 10 jogos consecutivos sem marcar um único golo, ainda acharia que era uma fase q os Mários Jardel estavam a ultrapassar porque sempre foi um goleador

      • Este comentário resume bem os últimos 15 anos de comentário futeboleiro em Portugal! E justifica o porquê da abertura de telejornais com os golos do Cris contra os Eibars e os Gijóns. Algo pelo qual me senti sempre profundamente humilhado.

        Gostava de partilhar a minha tristeza ao ver o jogo de ontem. Foi tanta, tanta, que mudei para o meu programa preferido, o My Dream’s House, na SIC Mulher, onde se reabilitam casas. Ao menos ali o Pizzi não estraga nada.

  4. Ri-me com a descrição ahah

    É mesmo assim, o Chiquinho é massacrado com essa dica da finalização – quando a mim parece-me mais um problema de confiança/minutos de jogo para que faça mais um golito ou outro – quando o homem tem uma série de outras qualidades. Enfim.

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