Sporting CP e os livres laterais – Pormenores de criatividade defensiva

A tendência para melhoria da fase defensiva do modelo das equipas de futebol com o passar dos anos é evidente, sejam quais forem os princípios e subprincípios adotados. Se o adversário tiver a possibilidade de ter meia-chance, tal não deve ser permitida. Vamos então a uma questão-problema neste âmbito: invariavelmente vemos na Liga NOS equipas que utilizam os livres laterais para colocar diretamente uma bola na área, em zona de possível finalização, sendo que contra um grande (que passa grande parte do jogo em organização ofensiva) esse pode ser mesmo um dos únicos momentos do adversário para criar perigo. Então, como não dar sequer a possibilidade ao adversário de o fazer em condições propícias para ser uma verdadeira ameaça? A resposta pode estar num pequeno pormenor que podemos encontrar nos livres laterais defensivos do Sporting CP e que demonstra que a criatividade não se aplica apenas à modelação ofensiva da equipa mas à defensiva também: o alinhamento dos jogadores para controlo de profundidade e cruzamento no momento dos livres laterais (com possibilidade de ameaça à zona de finalização) é feito o mais longe possível da baliza.

A proposta é de facto ousada e incita à reflexão nalguns pontos:

  • O controlo de profundidade da última linha tem que ser exímio sob risco de, apesar da possibilidade de uma finalização de primeira com sucesso na sequência direta do cruzamento ser baixa (uma vez que esta se vai dar mais longe da baliza do que é normal), um controlo desadequado pode permitir um movimento de rutura que provoca uma situação de 1v0+GR. Aqui a orientação dos apoios, o tipo de deslocamento que se vai fazer e o timing para começar a baixar é fulcral (nem contando ainda com tudo o que são referências individuais de marcação, caso estas existam), aspetos onde a equipa do Sporting CP é fortíssima e onde é possível identificar, no vídeo abaixo, a intencionalidade que vem do treino.
  • O controlo de profundidade feito pelo guarda-redes é igualmente essencial uma vez que é uma situação de cruzamento onde, tendo muito espaço à sua frente, pode ser chamado para fora da sua zona de conforto no sentido de efetuar o controlo dessa mesma profundidade em zonas mais altas (o que é uma probabilidade grande já que o batedor ao identificar o posicionamento da linha do Sporting CP vai sentir a tentação de colocar uma bola cortada nas costas a solicitar esse espaço de profundidade).
  • Ter, fora da linha, jogadores já posicionados (tendo por referência o posicionamento do adversário antes da execução) para a necessidade de encurtamentos rápidos em caso de saída curta do adversário, impedido assim que a desestabilização da linha seja acompanhada por um cruzamento mais próximo sem oposição condigna.

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Juan Román Riquelme
Sobre Juan Román Riquelme 60 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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