Chelsea em Wembley – A posse que acelera, controla, pausa e vence

Chelsea v Manchester City - FA Cup - Semi Final - Wembley Stadium Manchester City manager Pep Guardiola left and Chelsea manager Thomas Tuchel right on the touchline during the FA Cup semi final match at Wembley Stadium, London. Picture date: Saturday April 17, 2021. EDITORIAL USE ONLY No use with unauthorised audio, video, data, fixture lists, club/league logos or live services. Online in-match use limited to 120 images, no video emulation. No use in betting, games or single club/league/player publications. PUBLICATIONxINxGERxSUIxAUTxONLY Copyright: xAdamxDavyx 59241944

“Quisemos ser agressivos com bola hoje. Foi uma performance muito, muito forte da nossa parte. Estou muito feliz e orgulhoso. Uma boa defesa também é ter posse de bola. É uma ‘clean sheet’ que sabe muito bem.”

Thomas Tuchel, após a vitória frente ao City

No primeiro jogo da meia-final da Taça de Inglaterra, o Chelsea venceu o Manchester City por 1-0 fechando com chave de ouro a semana em que alcança a final desta mesma competição e as meias-finais da Liga dos Campeões. No duelo de Wembley, os londrinos impressionaram principalmente em momento de organização ofensiva, retirando a bola ao City durante largos períodos (dos raros jogos esta época em que os citizens desceram abaixo dos 60% de posse de bola total) e aplicando os princípios e subprincípios inerentes ao modelo com algumas nuances estratégicas que tornaram esta posse altamente controladora do ritmo do jogo (alternância entre ritmos vertiginosos em passe vertical com solicitações à profundidade e alguma pausa através do jogo posicional e associações curtas dos jogadores de corredor central) e desconfortável pela zona em que ocorria (muito jogo no coração do bloco do City).

A estrutura base do onze inicial previa um 1-3-4-3, com fase I (construção) a três e com os médios (Kanté e Jorginho) a funcionarem essencialmente como apoio frontal uma vez que o City optou por pressionar os três centrais com o trio da frente, os dois interiores a colar nos médios e a colocar muitas vezes os laterais a pressionar os alas do Chelsea. Estrategicamente, Tuchel optou por baixar então os alas no terreno fazendo com que os laterais adversários hesitassem (uma vez que os alas saem da sua zona de pressão) ou demorassem mais tempo nos encurtamentos de forma que os alas surgissem soltos (uma eventual pressão de perseguição do extremo ou troca de marcação com interior a saltar na pressão continuaria a ter algum tempo de latência), o que gerou frequentes momentos de saídas em GK+7v5, facilmente desbloqueadas a partir de dinâmicas do 3º jogador para procura de jogador livre envolvendo ligações central – ala – médio ou central – médio – ala, enquadrando qualquer um destes para jogo em fase II (criação).

Nessa fase é então possível magoar a equipa de Guardiola onde a ferida arde mais: o City normalmente adota uma zona de tal forma pressionante que coloca a maioria dos seus jogadores a encurtar na saída do adversário (normalmente 6, seja numa estrutura de pressão em 1-4-3-3 com trio da frente + dois interiores + lateral ou em 1-4-4-2 com os avançados e linha média). Uma vez batida a pressão destes 6 jogadores a linha do City é muito reativa às ameaças à profundidade (com estímulo de baixar) e com portador enquadrado e pelo menos um deslocamento de rutura a ameaçar espaço nas costas a linha baixa e o espaço entre linha média e linha defensiva abre exponencialmente, zona essa onde os dois criativos do Chelsea (Mount e Ziyech) criaram situações de constante superioridade e associação entre si contra um médio-defensivo isolado. A própria questão do City ter optado por colocar os laterais a encurtar nos alas gerou situações perigosas na saída do Chelsea com bola no corredor a ir dentro para depois ir fora nas costas do lateral (exatamente o que sucedeu no lance do golo, com exploração das costas de Cancelo que sai para pressionar Ben Chillwell).

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Juan Román Riquelme
Sobre Juan Román Riquelme 32 artigos
Fábio Baptista. Experiência como analista em equipas de formação e atualmente em contexto de seniores em Portugal, tanto em análise qualitativa como quantitativa, da própria equipa e do adversário. Vive sob o lema: conhecer o jogo, manipular no treino e assim influenciar o rendimento.

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