A importância do central que provoca, progride e fixa – Exemplo do City

Ao refletir sobre os modelos de jogo que, em organização ofensiva, privilegiam longos períodos de tempo em conservação da posse de bola há a tentação de conceptualizar que as ações técnicas que ocorrem em maior volume são as de passe-receção. Tal até pode ter fundamento mas não ser suficiente para o “jogar” completo a que se quer chegar. Nesse sentido, há alguns dados quantitativos interessantes sobre a distância percorrida em progressão com bola por parte dos jogadores da Premier League na presente época: os dois centrais do City, Stones e Dias, são os jogadores de toda a competição que maior distância percorreram em ação de condução de bola (ver gráfico abaixo).

Pode parecer curioso dada a associação que se faz muitas vezes entre as equipas de Guardiola e sucessões infindáveis de passes em triangulações e associações curtas, mas a verdade é que estes comportamentos quantificados em cima obedecem a um dos princípios específicos do jogo:

  • Princípio da penetração – caracteriza-se pelas situações onde o portador da bola consegue fazer a bola progredir em direção à baliza ou à linha de fundo adversária, de modo a chegar a zonas do campo que criam mais dificuldades defensivas ao adversário e aproximam a sua equipa da finalização (Garganta, 1997). Como ações características do princípio da penetração podem-se considerar os dribles e progressões que diminuem o espaço entre o portador da bola e a linha de fundo, propiciando cruzamentos ou deslocamentos em direção à baliza adversária e os passes que permitem ultrapassar as linhas de resistência defensiva do adversário (Castelo, 1996).

Numa era em que as marcações individuais estão cada vez mais na moda e as zonas são cada vez mais pressionantes, a capacidade dos centrais em provocar, atrair e fixar adversários permitindo a criação de desequilíbrios e superioridades numéricas libertando colegas desde trás torna-se então essencial (o perfil do central que “só serve para defender e que com bola só entrega para o lado” começa a entrar em desuso). E para além das características técnicas que o central deve possuir para tal (relação com bola, capacidade de condução em velocidade de cabeça levantada), também o conhecimento do jogo é essencial para que a tomada de decisão seja a melhor entre acelerar uma progressão por ter identificado o espaço para tal ou achar um colega em passe mais à frente entrelinhas que esteja em condições de receber. O exemplo de Stones frente ao Leeds é paradigmático (vídeo abaixo).

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Juan Román Riquelme
Sobre Juan Román Riquelme 59 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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