Quem não gosta de Neymar (o jogador), não gosta de futebol

O título é bastante direto e defensor das minhas ideias: só vejo duas possíveis razoes para alguém não gostar do jogador que é Neymar Jr. A primeira, e a mais lógica, são as pessoas que não o veem jogar regularmente, afinal de contas a liga francesa não é a mais atrativa e os jogos da seleção brasileira são, normalmente, a horas tardias para quem vive em Portugal ou na europa. A segunda, e esta mais difícil de entender, leva-me a crer que, apesar de gostos não se discutirem, estas pessoas não gostam realmente de futebol, ou pelo menos não gostam dos valores e das características que estão relacionadas com as raizes do jogo: a paixão pela bola, os duelos 1v1, a criatividade, malandrice e até a coragem e gabarolice de um craque que sabe que é melhor do que quem o defende.

Percebo que para muita gente seja difícil distanciar-se da pessoa Neymar, que em alguns momentos já errou nas suas decisões, atitudes e até nas palavras e exemplo que pode ser para os mais novos. Percebo tudo isso, mas acredito que o Neymar jogador dá muito mais ao jogo do que aquilo que o Neymar pessoa poderá tirar, caso volte a errar. Ver Neymar jogar é ver o povo vingar, é voltar às origens, é futebol de rua puro que, no futebol atual que é repetitivo e de processos mais racionais, traz uma lufada de ar fresco a quem o vê jogar. O Neymar que é muito mais 10 do que extremo, o Neymar que assume cada 1v1 como se fosse a jogada decisiva da peladinha do bairro, o Neymar que provoca e espera pelos defesas para os humilhar faz parte da história do futebol mundial, goste-se mais ou menos da sua pessoa. Nos últimos anos, o melhor Neymar só foi superado pelos dois extraterrestres que conhecemos. Ontem, num jogo desinteressante, lento e sem ritmo entre Brasil e Venezuela, numa Copa América que tem tido pouca qualidade, Neymar valeu o bilhete e as horas de sono perdidas a quem fez questão de o ver jogar, mais uma vez, assumindo cada jogada, brilhando com a bola nos pés e a fazer todos os jogadores a sua volta melhores do que eram no início do jogo. Sem mais palavras, as imagens valem por si. Mais uma quinta-feira normal na carreira de um dos génios incompreendidos do nosso futebol:

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Sobre RobertPires 78 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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