Se tivesse um filho, mostrar-lhe-ia vídeos de João Moutinho a jogar

2004: um menino franzino, baixinho de apenas 18 anos integrava a equipa A do Sporting. Com o 28 nas costas, outrora de Cristiano Ronaldo, assistíamos ao crescimento de um jovem craque que seria aposta de Jose Peseiro para essa época: 27 jogos feitos em 2004/05 e, desde então, são quase 1000 os jogos como senior. São já 17 épocas consecutivas a jogar regularmente, com um mínimo de 27 jogos por época para João Moutinho. Sporting, Porto, Monaco, Wolves, seleção portuguesa, não interessa: se Moutinho está disponível, é opção, e se é opção, Moutinho rende como muito poucos.

Hoje, com 34 anos, as pernas não andam o mesmo do que há 17 anos, mas o cérebro mantém-se intacto, e bem veloz. Apesar de estatura baixa, Moutinho sempre uniu o físico ao cérebro, e o cérebro à qualidade técnica. “Intenso”, eficiente, controlando o ritmo do jogo como poucos e lendo-o como quase mais ninguém o fez ao serviço do nosso país, Moutinho tem uma carreira fenomenal que me parece que é quase esquecida pela regularidade da sua qualidade dentro de campo. A liderar a equipa com e sem bola, Moutinho gere o ritmo do jogo, comunica com os colegas com a voz e braços, mas também com o olhar e com o seu corpo. O médio português foi uma das opções para defrontar a França no último jogo do grupo e, imagine-se a “surpresa”: foi dos melhores em campo. Com bola foi sempre dos mais completos, sem bola esteve coeso e a trabalhar bem com Renato e Danilo.

Sem brilhantismo ou jogadas vistosas, é na competência, na regularidade e eficiência das suas ações e nos detalhes que Moutinho mostra toda a sua qualidade: orientação corporal; saber quando dar um, dois ou três toques; atraindo a presão contrária e estando sempre muito atento a tudo o que o rodeia: colegas, adversários, espaços e, principalmente, a bola. Quando a bola passou por Moutinho, Portugal foi melhor. Quando Moutinho levou Kante para zonas distantes da linha defensiva francesa, Portugal superou-se. Não sei qual o futuro de Moutinho na seleção, não sei se será titular com a Bélgica, nem se vai continuar na Premier League. Sei sim que se tivesse um filho, mostrar-lhe-ia vídeos de João Moutinho, porque quem vê Moutinho jogar só se pode tornar melhor, ele que, para mim, é um dos melhores jogadores portugueses dos últimos 20 anos, atrás de apenas jogadores predestinados que chegaram aos melhores clubes do mundo.

Deixo então uma análise, com som, a alguns momentos e detalhes que me impressionaram durante o jogo com a França, da mesma maneira que o fazia já em 2004:

Deixo também todas as ações de João Moutinho no encontro, que terminou com apenas dois passes falhados (acertou 42 em 44), com 2 passes chave nas 51 vezes que tocou na bola:

Sobre RobertPires 78 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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