De corredor em corredor – A Superioridade Tática de Jorge Jesus

Como referimos na análise após o jogo, a toada de um jogo começa a determinar-se na construção adversária pela forma como condicionamos (ou não) a saída adversária. Desta forma, Rui Vitória optou por alterar a forma como defendia, assim como, Jorge Jesus alterou a forma de atacar da equipa encarnada (por força da alteração do sistema) e regressou ao 3x4x3, superiorizando-se taticamente sobre o antigo treinador do Benfica nesta fase. As dificuldades sentidas pelo 4x3x3 da equipa russa, que se transformava num 4x1x4x1 a defender, foram bem notórias pela indefinição nos momentos de pressionar/controlar, mas fundamentalmente pelas dificuldades no controlo dos corredores laterais. Recordamos as dificuldades de Portugal no Euro contra a Alemanha pela forma como o seu 4x1x4x1 não encaixou no 3x4x3 da Alemanha.

De corredor em corredor, nasceram as melhores oportunidades de golo do Benfica na Rússia. Quando os extremos russos saltavam nos centrais encarnados, os laterais do Spartak não encostavam nos laterais adversários, pelo que, os laterais encarnados apareciam soltos e de frente para acelerar a construção encarnada, começando a sua construção por fora. Ultrapassada a primeira linha de pressão adversária, sobretudo pelo corredor direito, o Benfica facilmente conseguia ligar por dentro porque existiam sempre movimentos de dentro para fora (o que arrastava central do lado da bola para corredor) e abria o espaço entrelinhas até chegar ao corredor contrário. O Spartak nunca se conseguiu ajustar defensivamente para encaixar na construção encarnada e o Benfica foi chegando sempre com tremenda facilidade ao último terço adversário e até com finalização, podendo ter chegado a números bem superiores ao 2-0 final.

Também em Transição Ofensiva, como o Pedro Bouças previu no Canal 11, o Benfica criou bastante perigo e até poderia ter criado mais, não fossem más definições a condicionar o desenlace das jogadas. Saídas bem pensadas para explorar as debilidades da equipa russa em Transição Defensiva que podiam ter dilatado a vantagem encarnada.

Foi um Benfica taticamente muito superior, embora perante um Spartak longe de um nível de Champions League e que muitas dificuldades terá para dar a volta a eliminatória. Destaque, por fim, para João Mário e Rafa. João Mário porque é o cérebro do jogo encarnado, em todas as suas decisões aproxima a sua equipa da baliza adversária e sabe quando meter pausa nos ataques do Benfica, tendo um número de perdas de bola mais reduzido que outro médios do Benfica. Rafa porque é o oposto de João Mário, trás desequilíbrio e velocidade no ataque de Jorge Jesus, aliando hoje, atributos que outrora lhe faltara, definição e finalização. Ainda não jogaram o triplo, mas a equipa têm potencial para jogar o triplo.


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Sobre Pirlo 119 artigos
Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

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