Os 25 minutos do Shakhtar a que De Zerbi quer chegar – Individual e coletivo em sinergia

“We had an extraordinary 25 minutes. Then we lost the ball which gave our opponents hope. The objective now is to play 90 minutes like we did for the first 25.”

De Zerbi

O modelo de De Zerbi no Sassuolo tornou-o num dos treinadores da moda em Itália e chamou a atenção de vários clubes europeus, tendo o Shakhtar garantido o seu concurso num vínculo que faz todo o sentido: uma estrutura que procura estabelecer o clube ucraniano como uma referência através da promoção de um jogo esteticamente atrativo e um treinador que se afirmou essencialmente pelos princípios de organização ofensiva (já esmiuçados num artigo anterior). A estreia no play-off de acesso à Liga dos Campeões no Mónaco permitiu vislumbrar algumas das ideias do técnico italiano, principalmente durante os primeiros 25 minutos (algo que o próprio destacou e que se reflete na evolução quantitativa da produção ofensiva da equipa, com o valor de xG a atingir um plateau a partir do golo de Pedrinho).

Ficam então algumas notas em relação a um modelo que se estrutura basalmente num 1-4-2-3-1 (duplo “6” com um criativo nas costas do avançado-centro) e que tem como principal desafio colocar o talento individual e a riqueza das dinâmicas coletivas a servirem-se de forma sinérgica:

  • Construção em 2+2, com centrais confortáveis em acelerar a progressão com bola para fixar a pressão, a dupla de médios também a mostrar-se constantemente para jogar nas costas da pressão e os laterais geralmente baixos nesta fase, assumindo assim uma saída com 6 jogadores (no mínimo) baixos no terreno para se associarem. Na frente os dois extremos posicionam-se na largura máxima para alargar o bloco contrário e abrir espaço para jogar.
  • Comportamentos de criação por fora com a utilização de extremos muito virtuosos com o pé trocado com conforto em entrar em espaço interior (angulando-se para a finalização ou assistência) e livrarem o corredor para a chegada do lateral (que se projetam em simultâneo preparando situações várias de variação do centro de jogo – cortesia das coberturas ofensivas do duplo “6” – já com uma superioridade em espera no corredor contrário).
  • Comportamentos de criação por dentro em busca do 10 (Pedrinho) enquadrado para desequilibrar através do virtuosismo das ações técnicas de drible e definição em passe em combinações curtas (lance do golo demonstra o jogo em proximidade do trio do meio-campo), ou utilização da dinâmica do 3º jogador com o 10 a fazer de apoio frontal para tocar num dos médios que passará a encarar o jogo de frente.

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Sobre Juan Román Riquelme 67 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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