Da análise para o jogo – As palestras táticas de Renato Paiva no IDV

Um dos momentos que tem ganho mais preponderância dentro do microciclo e como veículo de transmissão dos conteúdos do plano de jogo, em complemento com o trabalho realizado em campo no treino, são os momentos de análise em que é possível – graças ao suporte da imagem em vídeo e ao discurso do treinador – aumentar o tempo de aquisição de conceitos de complexidade crescente. Numa série divulgada no canal do clube, é possível assistir a partes das palestras de Renato Paiva no IDV e é de salientar a clareza e a forma simples – nunca redutora – como transmite os conteúdos do seu modelo de jogo e do plano estratégico aos jogadores. Em relação a estas, podemos descortinar assim alguns dos princípios da equipa, campeã nacional, em momento de organização ofensiva:

Sendo assim, temos:

  • Assumindo que os centrais exteriores do adversário vão saltar sobre os médios ofensivos (que formam um quadrado no corredor central com os médios centro) e os alas a saltar nos alas, criar situações de superioridade no corredor com um dos médios centro a ir receber ao corredor lateral.
  • Médio ofensivo do lado contrário mais posicional, não sendo atraído muito pelo posicionamento da bola para que quando o bloco adversário bascule ao corredor esse mesmo médio possa estar solto no espaço ao lado do “6” atraído e possa receber fora da pressão (circulação tática planeada com saída de central para central, central para ala, ala devolve e central liga por dentro nesse médio). Sempre com o princípio de chamar a pressão alta do adversário para procurar os espaços livres.
  • Possibilidade do médio ofensivo do lado da bola ir em rotura e o ponta vir em apoio receber por dentro com apoio frontal dos médios para fazer 3º homem e o médio ofensivo do lado contrário entrar em rutura – sendo essencial perceber os espaços para atacar essa profundidade. Em alternativa a atacar pelo corredor “forte” (pressão do adversário atraída) seria realizar 2/3 passes para chamar o bloco e colocar na largura máxima do lado contrário com diagonais longas, acelerando o jogo pelo lado contrário.
  • Em caso de pressão muito alta do adversário, na reposição de bola ou passe atrasado ao GR (que nesse momento, devido ao forte encaixe individual, será o homem livre), baixar quase toda a equipa menos os três da frente aclarando o espaço central, partindo o bloco de pressão adversário e ativando as saídas com jogo direto do GR. Aí os centrais exteriores abrem na largura máxima como laterais, os alas projetam-se a meia altura, um dos médios vai pedir como central e os dois médios ofensivos podem baixar ao espaço aclarado sendo depois necessário perceber o comportamento dos centrais adversários: se os dois acompanham ao mesmo tempo e deixam o ponta em situação de 1v1 ativa-se o jogo direto no ponta que terá possibilidade de ligar com os movimentos de rutura dos alas de fora para dentro.

Passando estes conteúdos para o contexto de jogo, aí estão estes comportamentos explanados na equipa no momento competitivo:


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Sobre Juan Román Riquelme 96 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo. Contacto: riquelme.lateralesquerdo@gmail.com

1 Comentário

  1. Um aparte, que o Renato me perdoe…

    É pá, malta da bola, temos de usar os miolos com que nascemos. Estão a ver o Mourinho apassar mal lá em Itália_ Peguem nele e metam-no à frente da selecção, já, antes de nos espalharmos ao comprido nos play-offs. Cá para mim, acho que vamos perder logo com a Turquia, já que toda a gente está a pensar na Itália. Os turcos esses, devem estar a pensar em nós. (Isto é válido, independentemente do que vou dizer a seguinte.)

    O Zé tem as suas coisas, quão bem o sabemos, mas que até não se irão notar muito da seleccão, mas toda a gente tem que ser protegida neste mundo. Toda; independentemente do dinheiro e fama que conquistaram. O Zé apoiou sempre a malta que saiu de cá, para ir la para fora lutar pela vida, ou os que cá estavam, quando os encontravam. Está na hora de retribuir. Tirem-no daquele martírio.

    Quanto ao engenheiro, não será um ataque aos direitos humanos retirá-lo daquele cargo. Até quando teremos nós de nos relembrar do que Luis Vaz escreveu: “Um fraco rei, faz fraca a forte gente”.

    Está na hora de mudar de estrofe.

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