No Benfica os Opostos não se Atraem

No Benfica de Jesus e no Benfica de Veríssimo para já encontramos ainda várias coisas parecidas. Nada de muito anormal se recordarmos que há “apenas” 20 dias de trabalho com a nova equipa técnica. O sistema já mudou para um 1-4-4-2, já mudou para 1-4-3-3 mas determinadas dificuldades ainda se mantêm.

Seja num 1-3-5-2 de Jesus ou no 1-4-2-2 de Veríssimo, parece ser consensual que a boa forma de Darwin (melhor marcador da liga e da equipa na época) merece a titularidade. Mas também já salta a vista a incapacidade que o jovem uruguaio tem para se relacionar com outro colega no ataque.

Sempre que Roman, Seferovic ou até Ramos, jogam ao lado de Darwin, parece que há toda uma falta de dinâmicas para jogarem juntos. Algo falha. Não há química no ataque encarnado. Mas porque será?

De uma forma simples, Darwin tem ainda dificuldades a jogar no centro do ataque e em se associar com colegas em tabelas, apoios e no arranjar de espaços. É um avançado de rutura, de jogar no constante ataque à profundidade e às costas da defesa adversária.

Ora, se pensarmos nos colegas que tem no ataque, isto levanta algumas questões.
Roman Yaremchuk é o típico avançado de área. Necessita de um jogo em seu redor que culmine numa bola em condições para finalizar. É forte de costas para a baliza e consegue jogar com tabelas próximas na grande área.
Seferovic, é um facilitador. É um avançado trabalhador, que se associa com colegas, consegue descair nos corredores e movimentar-se para arranjar espaço.
Gonçalo Ramos é o avançado tecnicamente mais evoluído e aquele que tem mais potencial para se adaptar ao jogo de qualquer um dos outros 3, já que não necessita de ser o elemento mais avançado para resultar.

Darwin sem querer, pode estar a anular alguns colegas devido às suas características que ainda necessitam de alguma evolução e treino.

Quando joga numa posição central do ataque, a sua tendência é sempre em diagonais para fora, “exigindo” que a equipa jogue em constantes transições “roubando” bola a Gonçalo Ramos, obrigando Seferovic a ser mais posicional (algo que não é) e proporcionando um tipo de jogo que não serve para Roman porque deixa a equipa demasiado esticada e começa a faltar-lhe apoio.

Contudo, sempre que o Benfica joga com equipas que lhe permitem essa profundidade, Darwin não desperdiça e justifica a aposta contando já com 20 golos na época. Ou seja, não é que Darwin seja culpado de algo que não está a funcionar, proporciona é um desafio constante ao treinador que terá de fazer opções para que o ataque funcione.

Jesus resolveu colocando Darwin a vir da esquerda para dentro. Nelson Verissimo parece querer dar opções no meio campo para que chegue mais apoio à frente.

Promete continuar…

Sobre EdgarDavids 58 artigos
Analista de Desempenho Coletivo e Individual & Técnico de Exercício Físico.

4 Comentários

  1. Pois é, o lixado no meio disto tudo, é que o Verissimo tem que se adaptar ao que herdou, que foi um monte de bons avançados, e um monte de bons defesas centrais…eu gosto, e muito, do seu 433 da B, pois aqui, para algo parecido, como válidos, eu diria, que para a posição 9, seria o Gonçalo e o Seferovic, mas isto seria só um dos males (porque sobrariam dois cracks)…depois viria, a questão dos laterais, que se quereriam a dar largura, e saída de bola, mas os laterais do Benfica, são balas projectadas…depois, ainda temos o tema da posição 6, que é muito grande para um Weigl sem os 3 guardas costas centrais…depois há os médios interiores, que deveriam ser jogadores com uma boa reacção à perda de bola, com uma boa transição defensiva, mas, na minha opinião o João Mário deixa muito a desejar (neste aspecto, creio, que o Nuno Santos (Paços) faria melhor)…e ainda viria a questão dos extremos, que se quereriam bem abertos, a dar largura, e por aí, veremos agora, provávelmente, um Everton a dar cartas, mas um Rafa mais perdido (gosto da ideia de um Diogo Gonçalves, vejo nele um Ricardo Horta da direita)…mas gostaria muito de ver um 433 deste assim montado, a equipa B, teve momentos bem agradáveis, assim, como muitos 433, que andam por esse Mundo fora, destacando o City, Liverpool e Madrid, diferentes e todos muito bem sucedidos.

    • Gosto do 433. Acho que a inclusão do P. Bernardo vem equilibrar o meio campo pelas suas capacidades físicas (não que se destaque só por elas, mas pq compensa algum deficit de J Mário e Weigl), mas traz outros problemas. A esquerda consegue se pôr Everton (e até Darwin) a dar largura e profundidade, mas e a direita? Até podíamos ter um modelo assimétrico, com um Lázaro ou Diogo Gonçalves a DD a defender e a extremo a atacar com o rafa a vir para dentro, mas isso implicava ter um lateral esquerdo que não se projeta (penso por exemplo nos tempos do Braga do Abel, em que o Goiano não subia), mas tal não faz sentido com um Grimaldo. Assim, para 433 so vejo Diogo Gonçalves a direita. Quanto aos pontas, assumindo que rafa joga, que Everton pode encontrar finalmente condições para vingar se partir da linha com mais espaço para ir no 1×1, sendo um desperdício encostar rafa a linha, tinha curiosidade em ver Rafa como falso 9 a baixar para se associar a j Mário e p Bernardo. Mas continuamos a ter problemas: os extremos (ou pelo menos 1 tinha de ter grande chegada a área e nem Diogo Gonçalves nem Everton parecem ter esse perfil, além de que se deixavam Darwin e Roman no banco! Darwin funcionaria a direita?
      Enfim, enquanto o Benfica andar com esta montanha russa no seu rumo desportivo e continuarem a construir planteis erráticos, utilizando as palavras do Post, promete continuar.

  2. Custa me ver que ainda hoje temos de assistir a estes comportamentos da linha avançada do Benfica (a 2 ou 3) e pergunto me o que se faz nos treinos? Ok, Veríssimo teve pouco tempo e mais grave é que JJ em 1,5 anos não encontrasse solucao, mas não concebo que numa estrutura profissional não se consiga definir o que se pretende e trabalhar mínimos de coordenação nas dinâmicas ofensivas em função das características dos jogadores. Se Darwin não tem o mínimo de competências técnicas para dar apoios frontais, então tem que ser disciplinado para pedir só na profundidade. Se joga com Roman que é PL de área ponto, então temos de ter a Darwin a fazer de “marega”, com ataques constantes a profundidade, com roturas de dentro para fora que levem um central e abram espaço ao meio para Rafa, J Mário e companhia definirem. Se Darwin joga sozinho em 433 ou com Ramos então tem de ser trabalhado para fixar centrais, segurar e entregar simples e pedir nas costas da defesa obrigando defesa a baixar linhas, abrindo espaço para ramos combinar com médios.
    Em 433 também pode abrir na linha para receber fora e ir para cima do lateral, tal como esta semana cavou o penalty do 1-0.
    Sinto que Darwin e completamente inculto tacticamente, consciente do seu poderio físico procura fazer de tudo um pouco, ser muito voluntarioso mas atrapalhando mais do que ajuda. Caberá a equipa técnica pedir lhe para fazer aquilo em que acrescenta e para não fazer aquilo em que compromete. Não pode ser assim tão difícil e, se for, o jogador não tem qualidade para integrar uma equipa grande que se pretende dominadora.
    Em suma, é preciso que se defina o que quer e se trabalhem as dinâmicas pretendidas.
    Chegar a esta fase da época e ver se isto só pode significar um de duas coisas: ou não se sabe o que se quer ou não se trabalha bem nos treinos. Qualquer uma delas é grave num clube como o Benfica.

  3. Parece-me estranho moldar toda uma equipa à volta de um jogador que não é assim tão bom… o Darwin tem marcado golos, também por ser o avançado com mais minutos de jogo. Acham que as características dele são tão diferenciadoras que o Benfica deve apostar tanto nele?

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