Encurtamentos à frente dos centrais – Uma condição para pressionar alto

Uma das intenções que parecem claras no Benfica de Roger Schmidt é a de pressionar bem alto a saída de bola do adversário, numa dinâmica de zona pressionante muito agressiva em bloco muito alto. Os adversários que optarem pela saída curta podem sentir o desconforto normal face a este padrão de pressão mas outros com qualidade superior podem eventualmente bater esse primeiro momento e conseguir ligar mais à frente com os elementos posicionados atrás da segunda linha de pressão (médios) iniciando a fase de criação. Para impedir então que a equipa se parta (avançados e médios, primeira e segunda linha de pressão, muito alta e a linha defensiva a ficar – limitada pelo fora de jogo do meio-campo – aclarando o espaço entre linha média e linha defensiva) é necessário que os elementos da linha defensiva, em particular os centrais, sintam o conforto em realizar encurtamentos verticais à frente da linha para impedir adversários de receber e enquadrar contra a última linha nesse espaço.

No vídeo abaixo fica um exemplo claro em que vemos, alternadamente, Morato e depois Otamendi a realizarem esse encurtamento. Uma opção lógica mas que carece obviamente dos seus riscos já que é um conceito defensivo que foge um pouco ao conceito mais clássico e conservador das linhas em marcação mais zonal, mais cautelosas sobre deixarem elementos sair da linha para este tipo de movimentos (há sempre o risco de uma bola entrar nas costas do defesa que sai a encurtar, com movimentos de rotura concertados por forma a atrair os centrais para fora da linha e explorar esses mesmos espaços – fundamental a dinâmica das coberturas para vigiar esses movimentos.).

Sobre Juan Román Riquelme 96 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo. Contacto: riquelme.lateralesquerdo@gmail.com

2 Comentários

  1. Bem visto. Estou a gostar de Schmidt e da nova atitude dos jogadores, mas esta opção táctica poderá trazer muitos azedumes. Estou a imaginar principalmente contra o SCP e o FCP a ser um daqueles jogos em que o jogo em si é equilibrado mas o SLB acaba a sofrer 3 ou 4 golos. Até por aí, a contratação do Gabriel Véron não é inocente.

    • É uma opção que tem riscos. Algumas equipas podem tentar propositadamente colocar jogadores entrelinhas para atrair o central e um segundo jogador entrar em rotura nas suas costas. Aí a cobertura defensiva coordenada dos restantes elementos da linha é fundamental.

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