E se corre mal?

Na semana passada o City fez dos piores 45 minutos na era Guardiola na 1ª parte contra o Crystal Palace. Há mérito da equipa de Patrick Vieira mas sendo entender o que correu mal em ataque posicional.

First things first, dois aspectos a destacar para começar. 1. O Palace jogou em 541 num bloco bastante compacto e a deixar espaço nas costas. A pressão iniciava à entrada do seu meio-campo 2. Todos os anos Guardiola traz uma variante nova que modifica aspectos. First things first, dois aspectos a destacar para começar. 1. O Palace jogou em 541 num bloco bastante compacto e a deixar espaço nas costas. A pressão iniciava à entrada do seu meio-campo 2. Todos os anos Guardiola traz uma variante nova que modifica aspectos mesmo quando é 5 metros mais para a esquerda ou direita faz toda a diferença. A ideia parece ser aproveitar/ganhar Rodri em zonas ligeiramente mais adiantadas dada capacidade com bola na última temporada. Mas tem existido um grande contra: ao contrário do que acontece quando está no half space (linha imaginária traçada entre a pequena e grande área), o posicionamento de Walker não faz o ala contrário saltar à pressão e permite ao adversário não se sentir ameaçado.

A juntar a tudo isto, principalmente nos primeiros 10/15 minutos (até à intervenção de Guardiola no banco), a circulação de bola foi pouco, ou nada paciente e facilmente controlada pelo Palace

Outro aspecto fundamental da distribuição do City: 4 jogadores permanentemente entre linhas: Foden + à esquerda, Bernardo, De Bruyne e Haaland. Por força dos blocos ultra compactos que enfrenta o City deixou cair o chamado passe vertical entre linhas e passou a enquadrar com a baliza adversária os médios de outra forma ou posicionando-se + baixos c/ largura paralelo ao último homem da linha média ou com movimentos de ruptura para aproveitar espaço nas costas. Aqui Cancelo tenta a 2ª. Novamente pouco critério Palace controla.

Portanto, consequência 1ª desta distribuição foi a quantidade de vezes que o lado direito do City ficou “coxo” a atacar

Já que falamos de lados, a dinâmica do City quando a bola entrava no corredor esquerdo, vindo da direita passava por baixar Foden. A partir daqui 1. Eventualmente um dos médios ou Haaland basculavam para esse lado, tentando fixar o central desse lado para não sair à pressão. 2. Como já vimos, Cancelo colocar a bola nas costas da linha defensiva e 3. o inglês ficar de frente para o jogo. Não obstante, o Palace estava bem preparado. Se a equipa estava ligeiramente menos compacta o central saia à pressão, caso contrário era o extremo quem garantia o incómodo ao portador, mantendo o Palace a linha de 5 atrás e respectivo equilíbrio. Também não foi aqui que o City garantiu progressão.

Mas não foi só posicionalmente que o jogo do City deixou a desejar na 1ª parte. Houve inúmeras precipitações do portador, vários passes tentados com 10 jogadores atrás da linha da bola acabaram transviados. Rodri terá dito no final “não se pode tentar fazer o 2º golo antes do 1º”

Uma variante estratégica do City passou por colocar a bola de fora para dentro no último terço no espaço entre linhas. Ou seja, bola à largura e passe entre médios e defesas do Palace. Não é muito habitual no City, é das especialidades do Liverpool e fica a dúvida se o facto de o Palace ter ido a Anfield na semana anterior teve influência nesta ideia

Tirando esta variante o City acaba por garantir progressão até ao último terço quando abdica de ter 4 jogadores permanentemente entre linhas. Abaixo uma jogada típica

Nos últimos minutos da 2ª parte, o City deixou de Bruyne à esquerda e mais baixo no terreno. 3 aspectos 1. algomeração de passes desse lado e tentativa de virar jogo rapidamente para colega + à largura na direita 2. Provocar aí o 1×1. Bola voltar à esquerda onde De Bruyne colocou 2 vezes a bola na área, uma por cruzamento e outra com passe que acabou interceptado.

Os escassos bons momentos do City envolvem boa atração dos adversários e desfazer os 4 jogadores entre linhas. Aqui é De Bruyne quem baixa, passes atraem Ayew e Foden recebe nas suas costas. Haaland aparece em apoio e City até coloca a bola na grande área com boa relação numérica.

Estratégia à esquerda + sequência de passes com De Bruyne fora do bloco

Jogada tradicional do City com 4 jogadores entre linhas mas com uma nuance que faz bastante diferença. Walker decide jogo desde o Half space condicionando a acção de Eze que posteriormente chegará atrasado à pressão em Bernardo Silva que cruza para finalização perigosa de Foden

Naturalmente City corrigiu rotas na 2ª parte e posicionamentos/distribuição diferente. No jogo seguinte as posses foram mais longas (logo no inicio vs Forest foram 2 minutos a circular) e não é expectável que tão cedo voltem a seguir esta abordagem.

Sobre Lahm 39 artigos
De sua graça Diogo Laranjeira é treinador desde 2010 tendo passado por quase todos os escalões e níveis competitivos. Paralelamente realiza análise de jogo tentado observar tendências e novas ideias que surgem no futebol. Escreve para o Lateral Esquerdo desde 2019. Para contacto segundabola2012@gmail.com

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