Há pressão e pressão – há ir e recuperar bola, há ir e andar para trás

Pequena nota pessoal. Na análise em futebol sou particularmente fascinado, entre outras vertentes, com as mudanças tácticas durante um jogo que modificam a tendência instalada. Mais que tirar um médio e meter um avançado é do meu interesse alterações na dinâmica, como por exemplo, equipa sair do sufoco provocado pela pressão contrária ou quem altere a sua forma de pressionar como resposta às ideias do adversário. O post é sobre este último exemplo tomando como referência o Estoril x Porto

As saídas curtas do Estoril e a pressão alta do Porto. Como na 1ª parte serviram para o Estoril respirar e ter algum conforto, apesar de raramente chegarem ao último terço, e como na 2ª o Porto inverteu a situação a seu favor

O que tentou o Estoril? Várias coisas mas comecemos pelo posicionamento: linha defensiva bem recuada e um interior (+ Geraldes) próximo do pivô. FCP adiantou um médio do 442 – normalmente Eustáquio – e Uribe tinha como missão cobrir o espaço nas costas dos extremos + Eustáquio

O Porto preocupou-se em não consentir que a bola entrasse na zona do pivô. O avançado + perto da bola saia a pressionar e “convidava” central a jogar no seu lateral, enquanto o outro avançado se mantinha central e só saia à pressão depois de assegurar que bola não entrava no meio

Posto isto, uma das ideias principais do Estoril passou por aproveitar o espaço nas costas dos 3 médios mais adiantados. nomeadamente entre médio e extremo. Não obstante aí Uribe tinha condições para aparecer e matar jogada

O Estoril tentou uma alternativa, de outras formas utilizada por City e Liverpool, que passa por colocar um interior à largura. A ideia é colocar um interior junto à linha lateral. O lateral baixo atrai extremo e o extremo ofensivo alto fixa lateral, havendo espaço criado

Eustáquio acompanhava Geraldes e não o deixava enquadrar, obrigando o médio a reter a bola mas mesmo assim é possível ver a prioridade do Porto: não permitir passes que ultrapassem os seus avançados. Na sequência o Estoril liga jogo entre lateral e extremo esquerdo que tem condições para jogar no meio. A competência do Porto + passividade ofensiva não permitem o aproveitamento da situação

Numa situação semelhante à anterior mas com Geraldes a chegar 1º ao espaço livre e enquadrar, o Estoril consegue jogar com o seu pivô e avançar no campo

Portanto, ideias do Estoril para sair 1. Geraldes a dar largura 2. o interior, mais João Carvalho, receber nas costas do avançado e extremo que saem a pressionar.

O Porto frequentemente forma um losango a pressionar avançado q condiciona como vertice mais adiantado, 2º avançado e extremo como vértices intermédios e um interior + recuado. A questão é que durante a 1ª parte João Carvalho, a espaços, conseguiu receber a bola “dentro” dessa subestrutura porque os portistas estavam demasiado longe entre si. 2º av não aproximava dos colegas o suficiente, ext saia demasiado cedo da sua posição para pressionar e médio recuado

Isto permitiu a Carvalho ficar de frente e pautar jogo. Mesmo que o Estoril não tenha aproveitado algumas vantagens foi suficiente para fazer o tempo passar e não deixar o Porto confortável no jogo

Pausa na pressão do Porto para centrar nas saídas do Estoril. Geraldes, muito activo, experimentou nas reposições ir p dentro da área de forma a atrair. A ideia é interessante mas requer mais passes nessa zona e atrair adversário ao máximo de modo a jogar nas suas costas

Voltando ao Porto. Apesar do Estoril não ter sido especialmente perigoso nas saídas, a equipa de Sérgio Conceição precisava do resultado e, sem surpresa alterou posicionamentos para corrigir os dois aspectos aqui abordados. Passaram a recuperar mais bolas no meio-campo ofensivo e rapidamente retirando conforto ao adversário. Como?

Desde logo, médio ou avançado que fechavam zona 6 do lado contrário ao da bola + perto dos colegas. Partindo para as questões concretas deste jogo: – Geraldes à largura. Conceição mais novo saia ao médio e o Porto ganhava um homem no half space para criar superioridade e impedir bola de entrar no pivô

Mas acima de tudo precipitava a a decisão de Geraldes que se viu em inferioridade numérica. Atrás, o Porto formava linha de 3 com adiantamento de Rodrigo e David Carmo pressionava o extremo caso bola entrasse junto à linha lateral

Interior a receber passe do central: Conceição voltou a arriscar e a apostar fichas na precipitação de quem receberia bola pressionado. Quando Eustáquio estava mais longe era Uribe que corria para incomodar Geraldes.

O leitor mais arguto estará a pensar que ficava um espaço grande nas costas dos dois médios. Verdade. Mas Conceição resolveu o assunto: Sérgio deu ordens a Rodrigo para nesse caso estar mais dentro e ser ele responsável por ficar com a bola e impedir o apoio frontal de Erison

Sobre Lahm 39 artigos
De sua graça Diogo Laranjeira é treinador desde 2010 tendo passado por quase todos os escalões e níveis competitivos. Paralelamente realiza análise de jogo tentado observar tendências e novas ideias que surgem no futebol. Escreve para o Lateral Esquerdo desde 2019. Para contacto segundabola2012@gmail.com

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