Um FC Porto de (más) decisões com bola

Muito se tem falado dos posicionamentos do FC Porto nos seus momentos com bola. Há porém, algo para além dos posicionamentos que é absolutamente determinante para o sucesso / insucesso. A forma como cada jogador e como a equipa enquanto colectivo, identifica o que se está a passar no jogo, para posteriormente enquadrar as suas decisões.

À data o que se percebe é uma dificuldade muito grande de muitos dos azuis e brancos para identificarem o momento e a situação de jogo que enfrentam. Não o identificando, dificilmente saberão tomar decisões correctas, que aproximem a equipa do sucesso.

É um FC Porto sempre muito pouco paciente com bola. Tantos são os azuis e brancos que não identificam se estão em organização ou transição, e o que está a pedir o jogo no momento em que tocam a bola. De momento, é um Porto que confunde e não percebe o jogo do ponto de vista táctico. É uma equipa que força as saídas pelo mesmo corredor, independentemente do espaço recomendar outras soluções. É um Porto sôfrego na sua construção e criação. Quer ter a bola próxima da baliza adversária a todo o instante. Por isso não se coíbe de esticar demasiadas vezes a bola no seu corredor. Os corredores laterais não são usados como meio para atrair, mas sim como um fim para colocar a bola uns metros mais adiantada. Não há paciência para elaborar cada ataque em organização. Quase todos se comportam no timing e no enquadramento das suas acções como se o adversário estivesse desorganizado, como se o jogo fosse só de transição ofensiva, procurando a baliza adversária o mais rápido possível.

Não há jogo de toque, nem de espaços. Há uma equipa que ataca sem qualquer critério. Sem maturidade. Tacticamente, o FC Porto é uma das equipas menos completas de toda a primeira liga portuguesa.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2941 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

1 Comentário

  1. Fantásticos! Únicos! E com uma cadência cada vez maior de artigos. Parabéns!

    Pegando neste caso, uma coisa será a percepção individual de cada situação de jogo. Mas se globalmente este é um “traço” que se repete em cada jogo, “só” pode vir do treino também, não? E como pode ser lá trabalhado de modo a mudar comportamentos em jogo e conseguir replicar muitas vezes?

    Outra coisa que perturba é como foi possível jogar “outro” jogo contra o Benfica? Principalmente na primeira parte. A excepção “boa” à regra “má”.

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