Saída a 3 – O protagonismo dos centrais

Como já foi referido por aqui, são de facto muitas, as equipas que tem optado pela saída a 3.

No entanto, pelo que tenho observado, não são assim tantas, aquelas que retiram mais valias dessa dinâmica.

Sair a 3 potencia a amplitude da construção, ao mesmo tempo que diminui o número de jogadores envolvidos. Este comportamento permite às equipas ligar o seu jogo ofensivo a partir dos 3 corredores (sem nunca fechar linhas de passe exteriores) e aumentar o nº de jogadores à frente da linha da bola.

No exemplo que apresento, destaco dois “pormenores”: o posicionamento do lateral e a progressão em condução, feita pelo central.

Há espaço para progredir? Existem jogadores para fixar e hipóteses de libertar num colega que receba nas costas do adversário? Então faz sentido a condução. Por isso, valorizo equipas que demonstram intenções de dar tempo e espaço aos defesas centrais, para que eles possam começar a desequilibrar desde trás.

Em relação ao posicionamento do jogador que oferece linha de passe exterior, será importante que este se coloque para lá da linha do médio ala. Se a bola entrar, esse jogador já terá sido ultrapassado e criará uma duvida sobre quem saíra na contenção.

Obviamente que isto não é uma regra nem terá de ser um padrão invariável. Mas, como temos observado, existem inúmeras equipas que pretendem sair a 3, mas acabam por construir a 4 ou 5, com regularidade.

Dar protagonismo aos centrais é acreditar que eles são capazes de fazer algo mais, do que um passe de cinco metros para o craque que vem “buscar jogo”.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 62 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

2 Comentários

  1. Um posicionamento possível da primeira fase de construção do Benfica que podia potenciar esta saída a 3, seria puxar o André Almeida para 3º central (uma vez q acrescenta pouco na linha) com o Lindelof e Luisao.
    Deixando a largura para o Cervi, avançando Fejsa e colocar o Pizzi solto na fase de criação e dentro do bloco.

    O que vos parece?

  2. Numa situação em que o adversário pressiona alto, que benefícios se podem tirar deste tipo de construção sendo que os centrais não podem progredir?

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