A falácia do River melhor na final da Libertadores

Lido demasiadas vezes – O River Plate foi superior e o Flamengo teve sorte.

É inegável a felicidade que a equipa de Jorge Jesus teve no final da partida. Mas, ai é preciso considerar-se que marcar no fim tem mais valor do que no início, quando em ambas as ocasiões o golo vale o mesmo. Vale um golo.

O River Plate não jogou futebol. Não criou absolutamente nada e todo o seu mérito deve ser atribuido à forma agressiva como os seus jogadores encararam cada lance. Somou o dobro das faltas do Flamengo e os elogios terão que se esgotar unicamente na atitude competitiva que os argentinos trouxeram para o jogo. Com ela, e com o constante parar do jogo adversário à margem das leis, o River anulou o jogo ofensivo do Flamengo. Certo.

Mas o que terá feito a equipa de Gallardo para merecer mais vencer o jogo que o Flamengo?

Não caiu também o golo argentino do céu? Num lance em que Felipe Luís recebe mal a bola, perde a posse na sua zona mais recuada, e um desentendimento entre Arão e Gerson permitiu que Borre marcasse.

Sem ter feito absolutamente nada para estar em vantagem, o River aproveitou o restante jogo para manter a tal agressividade que impediu o Flamengo de criar e de se aproximar com critério do último terço.

O River anulou durante quase todo o jogo o Flamengo, é um facto. Mas, pôde ter a tal postura de não disputar o jogo, mas antes limitar-se a anulá-lo porque teve ainda mais felicidade do que aquela que a equipa de Jorge Jesus encontrou nos últimos minutos da partida. Ou os golos só são fruto do acaso se forem no último segundo da partida?

E se na primeira parte por algumas situações Bruno Henrique e Gabigol não foram inteligentes o suficiente para explorar o espaço adequando na Transição Ofensiva, oferecendo-se à marcação no corredor central, em situação de 2×2, na segunda, a forma como abriram e movimentaram-se para o espaço nas costas dos projectados laterais argentinos, foi um upgrade à qualidade das saídas em contra ataque do Flamengo (VER VIDEO).

Voltaremos aos pormenores da final da Libertadores. O jogo que caiu para o Flamengo, mas que antes parecia ir cair para o River sem que os argentinos tivessem feito nada por isso.


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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3697 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

13 Comentários

  1. Vi o jogo na Fox LATAM Argentina e o rescaldo do conceituado programa 90 Minutos do Pollo Vignuolo onde ia acabando tudo à batatada tal não era o shock dos comentadores afectos ao River e a picardia dos comentadores afectos ao Boca. Creio que é unânime que na primeira parte o River fez um jogo tácticamente perfeito , secou o Flamengo por completo. No lance do golo de realçar a acção do Enzo Perez que permite a jogada que dá o primeiro golo aos Millionarios.
    Apesar da excelente primeira parte a sorte do jogo acabou por sorrir à equipa que foi mais fiel a si própria, que mesmo mesmo jogando com dificuldades ( criadas pelo adversário) procurou sempre construir. O River não foi o River do Napoleon Gallardo porque não foi contundente , controlou mas não lastimou , anulou mas não empreendeu e acabou por pagar muito cara essa factura. Casco , Montiel, martinez Quarta, Nacho Fernandes e Borré terminaram extenuados sem pernas para os velocistas do Flamengo. Faltou a Gallardo um pouco de Bilardismo para segurar a taça , veja-se no lance do primeiro golo do Flamengo onde está Montiel.. qual extremo…. Aos 87 minutos não podes ter s´4 jogadores atrás da linha da bola…. mérito e sorte para Jorge Jesus que nunca abdicou da sua ideia de jogo!! Grande Mister!!! ps: O que dizer do passe de Diego para o 2º Golo??

  2. “O River Plate não jogou futebol. Não criou absolutamente nada e todo o seu mérito deve ser atribuido à forma agressiva como os seus jogadores encararam cada lance. Somou o dobro das faltas do Flamengo e os elogios terão que se esgotar unicamente na atitude competitiva que os argentinos trouxeram para o jogo. Com ela, e com o constante parar do jogo adversário à margem das leis, o River anulou o jogo ofensivo do Flamengo.” isto não é aplicável em grande medida aos últimos anos de Mourinho? Se sim, porque não dizê-lo tão taxativamente também?
    Acho que o Flamengo neste caso esteve muito mal no papel dos avançados…e daí termos todos ficado supreendidos com os últimos minutos, visto estes terem tido finalmente acções positivas em direcção à criação de chances de golo. Cumps!

  3. A mim pareceu-me que a entrada do Diego, que conjugada com a progressiva incapacidade dos jogadores do rover para pressionar o portador do flamengo, melhorou a capacidade do time do Jesus para fazer chegar a bola à zona de criação. Não obstante a estratégia do River pareceu-me que houve ali muita gente do Flamengo a acusar o jogo decisivo.

  4. O Lateral Esquerdo visivelmente se perdeu no personagem. Num personagem patriota, emocionado, midiático e parcial. É triste. Vocês são bons… Não deveriam precisar disso.

  5. O River tem umas duas ou três oportunidades claras de matar o jogo, nem sei se conto os lances desperdiçados pelo Pratto com remates de longe, imagina se tivesse “criado absolutamente” alguma coisa.

    O Flamengo sim, se retirarmos os lances que começam em erros individuais (como as abordagens perfeitamente anedóticas de Pratto no 1º e Pinola no 2º golo) praticamente nada criou em jogo corrido.

  6. Eu acho até que se o jj tivesse colocado o Vitinho mais cedo o flamengo faria mais gols. Ao meu ver foi essa mudança que permitiu o flamengo chances de gol, o movimento do Vitinho e Bruno Henrique puxando os laterais do river pra afastar eles dos zagueiros permitiu a infiltração de arrascaeta e assim saiu o primeiro gol. Como o f.luiz quase não vai a linha de fundo o river só se preocupou em fazer jogadas em cima do Rafinha.outra coisa que dificultou o flamengo foi os movimentos dos atacantes do river eles empurraram a defesa pouco antes de cada lançamento e quando dominavam a bola eles ocupavam o espaço entre meio campo e defesa, tanto é que o river levou mais perigo chutando da entrada da grande área pois tinha espaço ali.
    Em vários momentos do jogo o f.luiz também ficava isolado do jogo sem correr risco (tirando o lance do gol) isso ao meu ver foi o maior erro do river não ter tentado fazer mais jogadas em cima de f.luiz para nossa sorte.
    De lá cruz ao meu ver foi sacrificado no jogo pois tinha que sempre aproximar do Rafinha para poder fazer superioridade numérica na lateral e assim obter a posse de bola para dar continuidade as jogadas, ele quase não foi tentar jogadas em cima de f.luiz. Ao meu ver merecido a Vitória do flamengo o river se preocupou em não deixar o flamengo jogar.

  7. Maldini, não consideras que, para além da agressividade nos duelos imposta pelo River, o Flamengo foi altamente prejudicado pelas constantes más decisões dos seus jogadores principalmente na primeira parte? Complicativos com bola, condução sem critério, individualismo exagerado… Isto leva-me a uma outra questão, caso concordes comigo relativamente à primeira: como deve o treinador desempenhar o seu papel num balneário ao intervalo no sentido de corrigir este excesso de individualismo? O que é que um treinador diz aos seus jogadores para mudar o chip? É que não estou a falar de um jogador só…estou a falar de pelo menos 3 ou 4…

    Obrigado.

  8. Maldini, não dar mérito efetivo ao River parece-me no mínimo estranho. Até o JJ deu…

    Consegues conceber que o Gallardo preparou o jogo com enorme respeito pelas dinâmicas deste Flamengo do JJ e assumiu a prioridade de as manietar, procurando ataques rápidos quando possível como aliás fez várias vezes?

    Vou até mais longe: será que o Gallardo não identificou muito bem uma das fragilidades das equipas do JJ que é de ficar com a equipa por vezes apática quando não está a dominar o jogo e quando sofre pressão alta e em todo os setores (coisas mudaram nele, mas essa talvez não, ou seja o lado do modelo adaptativo já existe mais no JJ mas precisa de evoluir mais)?

    Parabéns ao JJ e fiquei mesmo muito feliz com esta conquista, mas ocorre-me até citar o Mourinho “as finais não se jogam, ganham-se” e na verdade foi por muito pouco que a estratégia do Gallardo não saiu vencedora!

    Mas, mais uma vez, muitos parabéns ao JJ!!

  9. Epá, voltem ver se for preciso. Memória parcial, é que não.
    Fla não fez nada. Totalmente manietado. River foi perdendo gás. Fla até pode ter jogado com isso, mas ainda assim, fez pouco. Apenas quando o espaço começou a aparecer. E ainda assim sem invadir realmente.
    Pratto, que dizer…
    River, escusado e “facilmente” evitável.

  10. O Lage ontem fez-me lembrar o Gallardo , precisa de segurar o jogo… deixa o Florentino no banco e coloca o Caio Lucas… Gallardo tinha uma mão na taça tinha Ponzio e Quintero no banco e coloca o Pratto…. Afinal Bilardo é um visionário do futebol!

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