Havia um empate na ilha – curtas do Benfica

Jan Vertonghen

Mudou-se o tempo, mudou-se o dia, mas o Benfica pouco mudou. A equipa de Jesus voltou a ser medíocre, desta vez perante o Santa Clara.

  • O Santa Clara apresentou-se num 4-4-2, com o bloco muito baixo e as linhas muito juntas, ocupando na perfeição o seu último terço. Com os extremos a acompanharem os laterais do Benfica quando estes subiam, o conjunto de Daniel Ramos fechou bem o lado da bola, bem como o corredor central.
  • O Benfica demonstrou muita dificuldade em imprimir velocidade ao seu jogo, como já havíamos referido anteriormente. Circulação muito lenta e à largura, dando tempo suficiente aos açorianos para se ajustarem.
  • Quando assim é, torna-se essencial atacar o espaço, ora para arrastar e desposicionar, ora para receber e finalizar. Num dos lances em que Waldschmidt trabalhou bem em espaço curto (este alemão, sim, tem condições técnicas para jogar o triplo!), saiu o golo do Benfica: qualidade no passe, velocidade na desmarcação e recurso ao primeiro toque! Só assim se consegue desmontar uma organização defensiva como a do Santa Clara no primeiro tempo!
  • Na segunda parte, o Santa Clara arriscou mais. Subiu o bloco, concedeu mais espaço ao Benfica e a toada da partida permitiu chegadas mais rápidas ao último terço por ambas as equipas.
  • Com o jogo mais partido, foi notória a dificuldade que o Benfica tem em acautelar a perda da bola, dadas as características de Taarabt (muito predisposto para correr, mas não chega para 90min, calcula mal os tempos de entrada e nem sempre está bem posicionado) e Weigl (falta-lhe passada e a tal agressividade que Jesus disse há dias que lhe estava a tentar incutir).

Resumindo, os problemas continuam, e só o tempo dirá se os jogadores se conseguem adaptar ao que Jesus quer, ou se será o técnico das águias a mudar algo no seu xadrez.

Destaques individuais

  • Vertonghen – num Benfica com tantas intermitências, o experiente belga tem sido dos mais regulares. Hoje, teve um corte absolutamente decisivo, quando Patrick seguia embalado para a baliza de Vlachodimos. Nunca comprometeu, oferecendo um nível de segurança com e sem bola que poucos na equipa conseguem, neste momento, dar.
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5 Comentários

  1. Excelente analise, Yaya, como é costume aqui no LE.

    Se me permitir que haja… prolongamento, é na última frase do texto que está o busílis da questão (para um apaixonado mas pouco preparado amante do futebol – e assumidamente Benfiquista): “ Resumindo, os problemas continuam, e só o tempo dirá se os jogadores se conseguem adaptar ao que Jesus quer, ou se será o técnico das águias a mudar algo no seu xadrez”.

    Se as características dos jogadores, como explica, não se ajustam às ideias de Jesus… como pode o tempo resolver estes equívocos? O tempo trará mais disponibilidade física a Taraabt?! Weigl não é, morfologicamente, “o monstro” que teria que ser para cumprir com tudo o que lhe é exigido… mas… alguém seria? Pegando num outro artigo recente do blog, que destaca – e muito bem – o “monstro” Musrati… seria o trinco do Braga, por exemplo, capaz de fazer melhor que o alemão, no contexto do modelo do Benfica?
    Temo que não.

    Aquilo “que Jesus quer” parece ser uma visão idílica de um futebol pensado sem erro. O modelo parece ser baseado na expressão inequívoca, em campo, do ideal de Jesus – não estando o coletivo preparado para poder corrigir a falha individual.

    Desconfio assim que “o tempo” não dirá nenhuma das duas opções que menciona. Nem os jogadores se adaptam a algo que é contra-natura… nem Jesus, pelo que a história tem mostrado, é alguém capaz de mudar os princípios do seu modelo.

  2. Peço, por favor, alguém neste website que faça uma análise tática à recente forma de jogar do Benfica nos últimos cinco jogos.

    Porque não sei se sou só eu que vejo que somos batidos taticamente jogo após jogo e seja contra quem for.

    Andam os benfiquistas a bater na tecla que a culpa é do Vieira, que o clube perdeu identidade, que não temos plantel… porra nenhuma! O Porto e o Sporting contrataram jogadores da Liga NOS, baratos, de média-baixa qualidade e conseguem apresentar resultados minimamente aceitáveis.

    Serei só eu a ver que o nosso meio campo é nulo? E que é extremamente fácil de anular?
    Fazendo uma saída a três o Weigl desaparece e joga como um central, e depois temos um Taarabt completamente sozinho à frente de uma linha defensiva do Benfica que só troca a bola para os lados porque não existem soluções de passe.

    O Jesus quer que sejam os extremos a vir por dentro tentar construir, mas não é possível colocá-los tão dentro o suficiente para que consigam dar apoio ao Taarabt que se encontra sempre em desvantagem numérica, e ainda consigam apoiar os alas que sobem.

    Quando nos fecham os laterais, não há opção de passe, quando nos pressionam o Taarabt ele não tem soluções senão a finta, depois perde a bola e gera contra ataques.

    Enquanto isto temos 2 pinos plantados lá à frente à espera que a bola chegue, mas que quando a bola lhes chega, através de bola longa, não conseguem dar continuidade a nenhum lance porque a equipa está completamente partida.

    O nosso miolo resume-se a Taarabt, ponto. E como se sabe o homem não aguenta 45 minutos seguidos a alta rotação. O Benfica consegue jogar um pouco melhor quando a equipa está balanceada para pressionar, e porquê? Porque tem Weigl a jogar um pouco mais à frente e este consegue apoiar o Taarabt que chama os médios adversários à pressão, libertando o nosso segundo médio.

    Porque quando somos pressionados, somos a única equipa no mundo que joga com 3 centrais e 1 médio centro. E todo o resto da equipa à frente da linha do meio campo. Isto não existe em mais lado nenhum!

    Suplico-vos, façam uma análise tática a este Benfica e talvez me façam acreditar que sou eu que não estou louco.

    • Revejo-me neste comentário. Gostava de ver os km (ou metros) corridos por weigl. E finalmente alguém que consegue analisar na realidade aquilo que se passa com taarabt

  3. JJ já devia ter repensado o esquema, e tentado outras opções.
    É incrível como a equipa não remata, e não procura ir à linha para cruzar. Everton e Rafa sempre a tentar jogar por dentro não oferecem grandes opções para enquadrar os possíveis remates dos avançados. Completamente previsíveis.

    E como JJ é teimoso, vai ser isto até ao final da época, a choramingar jogadores novos.

  4. Boa tarde,

    Concordo com a análise feita, não muito distante do que tem sido este Benfica…com ou sem weigl, com ou sem tarabt, com ou sem Pizzi, com ou sem otamendi…com ou sem Gabriel, etc…etc.

    Com isto, falamos claramente de um problema coletivo, que o mister JJ teima em não alterar (pois ele mais que ninguém o percebe). Entramos aqui em questões de personalidade penso, já antigas, com o agravante de nesta passagem estar algo perdido no discurso (na gestão dos jogadores é o mesmo): Nuno Tavares seleção nacional!? Darwin uma máquina que vai n sei quê, equipa sentiu saída do Gilberto (defesa lateral!?).

    Além da questão tão batida do meio campo, penso que a inconsequência dos jogadores da frente, neste sistema ou pelo menos com os princípios em organização defensiva (pressão inconsequente, contra natura para as características defensivas e ofensivas desses jogadores), tb pesa muito. A linha defensiva, tirando os erros individuais de alguns jogos, continua bem na minha opinião, onde sem dúvida vertoghen tem estado num nível acima dos restantes.

    No entanto, e porque Benfica realmente tem um peso diferente em tudo que é mediatismo e foco dos vários intervenientes do meio, nao podemos esquecer que todas as equipas grandes, que assumem a corrida ao título, têm tido dificuldades. O FC Porto, a outra equipa que assume a candidatura ao título, sai deste mesmo campo, Santa Clara, com 3 pontos, sem o merecer de todo.

    As contingências do momento mudaram o futebol, saiu esta semana estudo do campeonato espanhol com a questão da falta de adeptos nos estadios e o peso nos resultados.

    Mas comcluindo o assunto do artigo, Benfica realmente precisa de mudar.

    Cumprimentos

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  1. Até que o espaço nos separe - curtas do Benfica | Lateral Esquerdo

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