Darwin: o SOS do Benfica, mas cada vez mais longe da baliza

Jakub Kaczmarczyk / EPA

O Benfica atravessa provavelmente o pior momento da temporada, a nível qualitativo e de resultados, apresentando principalmente muitas dificuldades em organização ofensiva, para desbloquear blocos baixos, mais compactos e que retirem o espaço interior que Jorge Jesus tanto gosta de explorar com os extremos e o segundo avançado; e também a nível defensivo, não conseguindo gerir vantagens ou controlar o jogo sem bola.

O posicionamento dos extremos do Benfica sempre por dentro acaba por dificultar a tarefa da equipa quando não consegue jogar pelo corredor central, sendo forçada a explorar os corredores laterais ou bolas longas para um dos avançados que apareça nas costas da defesa. Um padrão que tem sido habitual neste Benfica é o posicionamento de Darwin perto do corredor esquerdo, sendo sempre uma opção viável nas costas da defesa em situações de pressão ou onde se possa explorar o espaço dado pelos adversários. Muitas vezes quando a bola chega aos laterais do Benfica os extremos nem sempre estão perto, ou estão bloqueados pelos defesas contrários, sendo os movimentos de Darwin uma solução SOS para cada ataque.

Sendo que Darwin é um poço de energia, força e velocidade, é quase uma missão ingrata para o avançado uruguaio, que com algumas dificuldades técnicas acaba por estar numa “ilha” de defesas e sem grandes opções. Podemos comparar nas imagens em baixo o local onde Darwin recebeu passes nos últimos 5 jogos, comparando com 5 jogos durante o melhor período do Benfica esta época, onde o uruguaio marcou 4 golos em 5 jogos:

Muito menos solicitado no corredor central (zona amarela, frontal à baliza), o número de vezes que Darwin recebeu junto à linha no corredor esquerdo aumentou (zona vermelha). Mais afastado das zonas centrais, mais afastado da baliza, menos soluções para a equipa quando chega ao último terço. Principalmente do lado esquerdo, a ligação Grimaldo-Everton não tem sido a mais fluida e parece sempre que Cebolinha se sente mais confortável aberto no corredor, como estava habituado no Brasil. Juntando estes problemas de ligação com a natureza de Darwin, muito móvel na frente de ataque, o Benfica acaba por perder várias jogadas onde poderia progredir no terreno mas faltam opções centrais. Deixamos o vídeo em baixo, com momentos dos últimos 5 jogos do Benfica, com a falta de soluções ofensiva da equipa encarnada, com destaque para o posicionamento de Darwin: as causas e consequências deste padrão no jovem uruguaio.

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Sobre RobertPires 32 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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