Quanto mais atrás os teus criativos defendem, mais longe estás do golo. A estratégia “falhada” de Simeone

O Atlético de Madrid recebeu o Chelsea e foi derrotado por 1-0, num jogo em que os blues de Tuchel dominaram por completo (os colchoneros terminaram o jogo sem qualquer remate enquadrado e com 36% de posse de bola). Por um lado, já era esperada uma abordagem conservadora da equipa de Simeone, algo característico do ADN do Atleti e que tem dado muito sucesso nos últimos anos, principalmente na primeira mão das eliminatórias da Champions. No entanto, houve algumas diferenças do habitual 3-5-2 do Atlético que tem sido habitual na La Liga para o 6-3-1 em oorganização defensiva que Simeone apresentou frente ao Chelsea, preocupado com o 3-5-2 móvel e com muita amplitude da equipa inglesa.

O habitual 5-3-2 do Atleti sem bola, com Felix junto a Suarez, Lemar a fechar dentro e Llorente como “falso ala direito”
O 6-3-1 que Simeone preparou frente ao Chelsea, com Felix na linha média, Correa e Lemar a fechar junto à linha de 4 defesas (Llorente como lateral direito)

Este posicionamento alterou duas coisas na equipa do Atleti: passou de ter 5 para apenas 4 jogadores na linha média e avançada para preparar transições, e afastou jogadores criativos e capazes de jogar sob pressão e em inferioridade como Félix, Correa e Lemar das zonas de decisão do ataque colchonero. Com isto, o Atlético viu-se muito recuado e com bastantes dificuldades para sair, perante uma pressão inteligente e com vários jogadores do Chelsea (foram 26 bolas recuperadas ou interceptadas no meio-campo defensivo do Atlético). Com Suarez muito isolado e pouco móvel como referência do ataque, o Atleti sentiu variadíssimas dificuldades quando recuperava a bola, tendo pouca ajuda para o uruguaio e obrigando os seus jogadores mais virtuosos a grande desgaste e distâncias percorridas, resultando nos tais 0 remates enquadrados com a baliza adversária (enquanto o jogo esteve empatado, o Atleti só conseguiu sair de forma controlado do seu terço defensivo por uma vez após recuperação de bola).

É caso para dizer que quanto mais recuados os craques estiverem, mais longe do golo vão estar, O Atlético é o líder da La Liga com todo o mérito e o seu passado na Champions diz que a eliminatória está longe de estar acabada, mas esta é mais uma prova de que quando a estratégia limita a qualidade e a capacidade dos melhores jogadores, a equipa estará sempre mais longe do golo. Veja então como o Atleti sentiu dificuldades para sair de forma controlada, e como o Chelsea soube pressionar e asfixiar a equipa espanhola:

Os nossos Videos são criados com

Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

1 Comentário

  1. Ainda bem que não vi este jogo. É simplesmente patético, típico de quem detesta futebol, uma equipa como o AM a jogar com nove marmanjos (mais o redes) à defesa. Foda-se tenham dó de mim!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*