Há coisas que fazem tanto sentido – A primeira internacionalização A de Laporte

“Vi apenas o que já estava à espera: esteve excecional, com grande saída de bola, dominador, com poder e força física, com personalidade, a pressionar os avançados portugueses em situações de 1v1. Falam sobre eu utilizar dois centrais canhotos mas passei a minha vida a usar dois centrais destros e ninguém dizia nada.”

Luis Enrique, sobre a estreia de Aymeric Laporte

No encontro de preparação entre Portugal e Espanha que decorreu no Wanda Metropolitano assistimos finalmente à estreia (aos 27 anos!) de Aymeric Laporte por uma seleção nacional A. Nascido em França (Agen), o central canhoto completou a sua formação no País Basco (a partir dos 15 anos) e, apesar de ter alinhado pelas seleções jovens gaulesas e ter inclusive convocatórias para a seleção A francesa (não somou minutos), recentemente naturalizou-se espanhol e passou a ser mais uma opção para o centro da defesa da seleção de Luis Enrique. E arrumando por aqui todas as notas burocráticas sobre o assunto, este é um casamento que (futebolisticamente falando) faz todo o sentido, onde as características do jogador encontram um modelo ao qual se ajustam perfeitamente e foi frente à seleção portuguesa que tivemos o primeiro vislumbre sobre o que poderá ser a carreira do central do Manchester City na seleção: num jogo em que a Roja foi maioritariamente protagonista com um superior volume de posse de bola, Laporte atuou como central do lado direito (mesmo sendo canhoto) na estrutura de 1-4-3-3 da Espanha e se é verdade que, principalmente durante a primeira parte com Ronaldo mais isolado na frente e Félix a fechar a zona do 6, a seleção portuguesa quase que abdicou de saltar à pressão sobre os centrais, tal não impediu que este desse nas vistas demonstrando os atributos que fizeram com que Pep Guardiola tenha decidido abrir os cordões à bolsa e largar 65 milhões de euros pelo seu passe há 3 anos atrás (e se as constantes lesões o têm impedido de discutir o lugar de forma mais acesa no clube, veremos se a titularidade de Stones não começa a ficar em risco ou o cerco de interessados por Laporte pode começar a apertar):

  • Iniciar a construção e criação – a criança que cresceu a jogar e a pensar como um médio e que só aos 13 anos recuou para central, um relato que não surpreende. Dotado de uma capacidade de execução do gesto técnico do passe (curto ou longo, tenso ou picado) muito acima da média, trabalha quase como um lançador recuado – várias vezes experimentou variações diagonais de centro de jogo diretas para o extremo do lado contrário – capaz de encontrar os colegas tanto em profundidade como nos espaços entrelinhas e desfez a pressão portuguesa com estas associações.
  • Impor a vertente física nos duelos – apesar do perfil técnico elegante que tem na relação com bola, a constituição morfológica é igualmente impressionante (1.91m de altura e pesando 87kg) e é nos duelos individuais que melhor se percebe o impacto que esta tem: muito forte e potente, dominador no corpo-a-corpo, utiliza o mesmo para muitas vezes tentar desarmar os adversários de forma limpa (tem um carrinho delicioso na primeira parte onde sai a jogar de seguida – ver no vídeo abaixo).
Sobre Juan Román Riquelme 67 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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