Palhinha 2.0: atrair para esticar e a influência no modelo do campeão

Não é surpresa para ninguém a importância e influência que Palhinha tem na equipa de Ruben Amorim. O médio sportinguista mostrou durante a temporada passada que foi o melhor na sua posição durante todo o ano, mostrou também no Europeu que está pronto para o topo. Forte fisicamente, com uma passada larga que lhe permite ganhar metros e duelos com e sem bola, o médio português tem mostrado uma evolução grande no que toca ao jogo com bola, onde apesar de não ser fraco, sempre mostrou algumas limitações quando a equipa do Sporting enfrentava blocos mais baixos, obrigando Ruben Amorim a colocar Bragança em alguns desses jogos.

Este ano, e contando com apenas 3 jogos disputados no campeonato, nota-se que Palhinha está não só mais confortável no momento com bola, beneficiando de jogar ao lado de Matheus Nunes e não tão longe de João Mario, como acontecia no ano passado, mas o médio português está também mais ativo no modelo dos campeões nacionais. Toma iniciativa em drible, tenta mais passes verticais e, acima de tudo, tem ganho uma importância incrível na variação de flancos que o modelo de Amorim pede e oferece: explorar a largura máxima do campo em todos os momentos. Apesar de se ter mostrado implacável no jogo direto explorando movimentos verticais dos seus avançados durante a época passada, o Sporting acaba por ser uma equipa que passa muito tempo no meio-campo ofensivo e nem sempre tem o espaço para jogar de forma direta nas costas da linha defensiva. Este ano, o meio-campo do Sporting parece querer jogar de forma ainda mais apoiada numa fase inicial, tentando manter a posse com os seus médios e alas, atraindo assim a pressão dos adversários para, no momento certo, rodar o jogo para o ala contrário que está sempre a oferecer largura máxima ao ataque leonino:

Exemplo do comportamento referido acima. Atrair jogadores de um lado, esticar do outro com o ala bem aberto

É neste movimento que se tem visto Palhinha muito ativo no jogo leonino. Sempre a mostrar-se disponível para receber, a equipa percebe bem quando força o bloco contrário a recuar, criando espaço para Palhinha ter tempo para receber e rapidamente fazer um passe longo para o lado contrário. Num gesto técnico que não é muito difícil, torna-se muito importante a recepção e a capacidade de antecipar o momento do passe, isto porque sendo quase sempre um passe longo acaba por dar mais tempo aos adversários para acompanhar a bola e chegar ao lado contrário. Uma boa recepção, a tensão certa e sempre a olhar por cima do ombro ainda antes de receber, é aqui que Palhinha mostra a sua evolução. Este ano são já várias as vezes que o Sporting desequilibra através destas diagonais, estando aqui o mapa de passes longos do médio português nos primeiros 3 jogos, quase sempre com preferência pelo lado esquerdo, sendo um movimento mais natural para um destro executar um passe longo:

Trago então um vídeo a mostrar alguns destes passes de Palhinha, como a equipa se prepara para esse movimento e as vantagens que traz ao modelo do Sporting, podendo variar não só o lado onde ataca mas também como ataca: de forma apoiada, mais direto nas costas ou com uma diagonal longa para o lado contrário, preparando a equipa para qualquer tipo de jogo, numa época onde a presença na Champions vai obrigar Ruben Amorim e os seus jogadores a terem ainda mais soluções dentro do campo:


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Sobre RobertPires 75 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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