O cruzamento para a assistência final – Dissecar os cantos ofensivos do Sporting CP

“O mérito é da equipa técnica que trata das bolas paradas. Quero realçar a quantidade de oportunidades que temos. Não temos feito golos e fazemos de bola parada. Fico contente porque realça o trabalho das pessoas que estão aqui, que têm muito talento e são trabalhadoras.”

Rúben Amorim

Não é propriamente uma novidade uma vez que já na época passada eram evidentes as virtudes do Sporting CP nos esquemas táticos. No entanto, na presente temporada tem sido ainda mais evidente no sentido em que os esquemas ofensivos, em particular os pontapés de canto, têm sido decisivos ao ponto de valerem mesmo pontos e vitórias à equipa de Rúben Amorim. Olhando em pormenor para estes lances, um pormenor curioso é que a maioria destes lances não resulta propriamente de um cruzamento direto para cabeceamento com consequente finalização mas sim de um cruzamento para um jogador que geralmente cabeceia para assistir (seja canto ao segundo poste a assistir para o primeiro ou vice-versa). Fomos então recuperar estes golos e tentar perceber o posicionamento padrão dos leões no canto ofensivo e como este pode favorecer este tipo de execução.

Apesar do número de jogadores colocados na área poder variar (entre 6 e 5), existem alguns jogadores-alvo cujo posicionamento acaba por ser comum: Matheus colocado mesmo à saída da pequena área na zona do primeiro poste, Paulinho e Gonçalo Inácio geralmente atacam mais a zona do primeiro poste e Coates e Palhinha atacam o segundo, com muitas situações de Inácio a cabecear para Coates finalizar no segundo ou Coates a cabecear para Inácio finalizar ao primeiro, com eventualmente um sexto jogador (Feddal) ainda mais para lá do segundo poste, em posição de “sobra”. A divisão das referências ao primeiro e ao segundo dificulta a marcação individual/bloqueios (muitas equipas o tentam fazer com Coates) no sentido em que tal poderá deixar sempre uma das duas duplas mais solta e com a bola entrando lá para cabeceamento de assistência ganha-se o tempo necessário (e o caos também) para que os jogadores marcados do lado contrário se possam soltar de marcação.

Sobre Juan Román Riquelme 75 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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