O 3º jogador como lógica de progressão – Da ideia para o campo, de Pep para Xavi

As marcações individuais e as zonas cada vez mais pressionantes dificultam a tarefa de quem procura interiorizar o jogo e enquadrar em corredor central em zonas mais adiantadas e só com a linha defensiva de frente para conseguir definir. Uma solução, já bem difundida em quem gosta de andar por estas zonas do campo, é a dinâmica do 3º jogador para progredir: tal implica que um jogador mais adiantado funcione como apoio frontal para tocar de frente com um 3º jogador, que serve de apoio frontal do apoio frontal (que durante a viagem do primeiro passe tem o timing para se escapar à marcação já que a atenção do marcador nesse momento altera-se para a bola e para o seu destino), que por sua vez enquadra de frente para o sentido da progressão. Hoje em dia até já se eleva à questão do 4º jogador, em que após enquadramento do 3º jogador, ativa-se imediatamente movimento de rotura na profundidade de um 4º jogador. Uma combinação indireta simples mas muito útil e sobre a qual Xavi nos falou recentemente em mais um episódio seu para o portal CoachesVoice e sobre a qual Pep já nos falava há quase 15 anos:

Sobre como introduzir esta ideia como conteúdo de treino, há centenas de possíveis combinações e circulações táticas num registo mais analítico sem oposição para o efeito. No entanto, parece-nos mais rico tornar este comportamento propenso na forma integrada do exercício: veja-se um exemplo de um exercício de manutenção da posse de bola com transição de espaço com 3 equipas e 3 espaços, com um joker colocado no espaço do meio (o mais curto de todos em termos de profundidade). Cada equipa só pode ligar em passe com a equipa em espera no espaço contrário se ligar com o joker e ele devolver à mesma equipa, podendo depois sair o passe para o lado contrário (dinâmica do 3º jogador). Posto isto, não nos esqueçamos de refletir sobre algo: este jogador colocado como joker muitas vezes não estará pressionado e o jogo poderá estar a pedir que seja ele a enquadrar para a progressão – não devemos criar esse vício ao apoio frontal para ter sempre de tocar de frente, sob pena de condicionar a sua tomada de decisão e orientação corporal no momento de receber.

Sobre Juan Román Riquelme 92 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo. Contacto: riquelme.lateralesquerdo@gmail.com

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