Um duelo de Génios que Conte levou a melhor e a relação Kane-Son

Num duelo entre dois dos melhores treinadores da atualidade, esperava-se um jogo de enorme qualidade tática. E assim foi. O Manchester City é uma das melhores equipas do mundo (individualmente e coletivamente) e só um Tottenham, a transcender-se (individualmente e coletivamente) poderia vencer a equipa de Pep. Como seria expectável, o City foi controlando com bola e o Tottenham optou por uma postura mais baixa, mas isso não fez com que, nos períodos em que teve bola, não tivesse qualidade. O jogo entre duas das melhores equipas da Premier proporcionou um grande espetáculo, característico da Premier League, com golos, emoção e muitas oportunidades para cada lado.

Defensivamente, a equipa de Conte posicionou-se num 5x4x1 com os dois extremos mais baixos e bem fechados por dentro, controlando as entradas por dentro que a equipa de Pep tanto gosta. Os médios saltavam em Laporte e Rúben Dias à medida que estes iam conduzindo, funcionando sempre em diagonal para proteger entrada pelo corredor central. Fechado o corredor central, os ataques do City iniciavam-se quase sempre por fora e mesmo aí, os Spurs garantiam sempre superioridade numérica, fechando possíveis combinações ou o aproveitamento do espaço entre central e lateral com a chegada do central do lado da bola. Foi um Tottenham muito competente defensivamente, que nem sempre impediu a chegada dos atuais campeões ingleses ao último terço, conseguiu recuperar e sair várias vezes para transição por Kane que aparecia baixo no momento defensivo para ser referência após recuperação e lançava Son para o contra-ataque.

Embora não tivesse tanta bola, quando a teve conseguiu ferir a equipa de Pep. Bem preparado para sair curto, os ‘Spurs’ conseguiram desmontar várias vezes a forte pressão em 4x2x3x1 do Manchester City, saindo preferencialmente por fora e quando a bola entrava num lateral, aparecia Kane em apoio entre os dois médios adversários. Uma situação bem trabalhada que possibilitou o avançado inglês ficar de frente para o jogo inúmeras vezes e lançar em Son na profundidade como aconteceu nos dois primeiros golos da equipa de Conte. Para além disto, a equipa foi capaz de explorar a largura com qualidade nos momentos em que teve bola e chegar ao último terço com qualidade após a chegada dos dois laterais.

Numa altura em que é cada vez mais complicado contrariar o jogo posicional da equipa de Pep Guardiola, Conte apresentou uma excelente solução para minimizar as chegadas ao último terço da equipa de Manchester. Veremos como responde a equipa de Pep ao aparecimento destes constrangimentos, de equipas mais baixas com linhas de 5, 6 e até de 7 (em alguns momentos) para continuar a criar com a abundância com que cria.

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Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

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