Posicionamentos, cortes e golos

Num texto anterior aqui onde se pretendia explicar o quão pernicioso é procurar entender o jogo, ou qualidades de jogadores com base em dados estatísticos, o exemplo de um central altamente valorizado por tais indicadores (Lisandro) e outro tão desprezado (Lindelof). Porque um aparece muito na estatística pois está sempre a intervir, e o outro, que progride desequilibrando (como se contabiliza?!) e cujos passes quebram linhas (provavelmente ainda sai prejudicado, porque procurando assumir desequilíbrios a construir terá um pouco mais de erro do que quem só toca ao lado) é sempre desvalorizado.

Lisandro, é tido como o melhor central do Benfica. Porque somará muitos desarmes e vencerá muitos duelos, entre outras variáveis. Mas como se avaliará estatisticamente o seu posicionamento? Recorde o golo do empate do Moreirense na Taça da Liga, e a distância a que estava de Jardel, e a altura a que estava de Ederson com bola tão próxima? Não poderá o mau posicionamento ser a causa de posteriormente se ter de intervir mais? Mau controlo da profundidade, bola nas costas e lá vai em sprint resolver o lance e ganhar pontos na avaliação individual. Bom posicionamento da profundidade e o passe não sai, nem intervém. Jogo menos conseguido.

No Bessa, mais um erro clássico no posicionamento em profundidade. Desta vez sem oportunidade para em sprint resolver o erro inicial.

É inconcebível conceder tanto espaço nas costas com bola tão próxima da última linha. Um erro muito grave no controlo da profundidade pela má análise de distância. No caso, é o central do lado da bola (Lisandro) que define a altura da última linha, e todos os outros devem ajustar por ele. Tudo relacionado com o campo de visão de cada um dos elementos da linha defensiva, como explicado aqui.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3767 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

7 Comentários

  1. Lisandro parece que foi (de novo) atraído pela referência individual. Kalaica e Pedro Pereira bem, mas mal comandados.

    • O Kalaica está bem, em funcao dos maus posicionamentos do Lisandro. Está com os apoios bem colocados e pronto a atacar a profundidade.

    • Mais seguro que o Semedo a defender, menos afoito ao ataque mas dá opções na ala e por dentro. Toca seguro quando curto. Não arrisca grandes corridas para a frente preferindo o certo.

      Tem menos 4 anos do que o Semedo, mas se conseguir evoluir como este, daqui por 2 anos está no mesmo ponto.

  2. “provavelmente ainda sai prejudicado, porque procurando assumir desequilíbrios a construir terá um pouco mais de erro do que quem só toca ao lado”

    Serve para vários outros jogadores. Mas a maioria só vê o “erro”, a “perda de bola” e a estatística depois só refere o acerto no passe.

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